Da’Lolosa: o bar mais agitado da zona

Última parte
Os frequentadores eram praticamente os mesmos.
- Seu Zé Rosa, que tinha o bigode sem aparar e um chapéu na cabeça.
- O Diabo Louro, que bebia mais do que gambá e tocava terror sem camisa gritando no meio da rua.
- O Cirineo Barata, aplicador de injeção. O Cirineu carregava sempre a seringa para aplicar Bezetacil nos frequentadores da zona. Viviam doentes com “ganarréia, sífris”… doenças de rua..
Nos fins de semana, a casa fervia. Estavam construindo uma usina mais ou menos perto da cidade e a peãozada com dinheiro, enfiava tudo na Lolosa. Tinha um “homi” especial: Mister Black, o engenheiro, que falava tudo enrolado, mas fumava charuto e pagava as contas pros pingaiadas. Se ele conhecesse a xereca da Lulu ele nem se interessaria por uma magrela. Bem que eu jogava pra cima dele. Maldita!
No bar da Lolosa tinha um quartinho privativo que ela alugava pras rapidinhas, com uma cama de solteiro, coberta com uma colcha de cetim rosa com uma arara bordada. Ela cobrava o aluguel por minuto. Lolosa cronometrava com a ajuda de um relógio velho na parede onde se lia “nascer pobre é destino…. mas casar com homem pobre é burrice”. Esta frase a Lolosa sempre dizia. Lolosa falava também que mulher pra ficar rica é só usar a área de lazer com “véio” babão e rico.
Todo mundo sabia quando a cama do privativo estava sendo usada. Nhec-nhec-nhec. Barulho de cama de “véia”. As dondocas da sociedade nem podiam passar e olhar para dentro da zona. Era pecado. Pecado o caray. Tudo biscatinha. Tinham as casas de família que ficavam acesas e os bêbados confundiam e batiam na porta. Uma zona. Os homens levavam sempre limão, que era pra esfregar na meretriz. Se espumasse, não estava com doença venérea.
O Da’Lolosa funcionou por uns 20 anos. Lolosa ganhou uma grana preta. Comprou uma casa no centro da cidade e mudou-se para lá depois que o bar raleou. Mas se acabou na esbórnia. Tudo caiu. Mesmo assim eu adoro a Lolosa. Dela faço gato e sapato e tomo minhas pingas sem frescura.
Abri os olhos e chamei a Lolosa pelo “uatis”: “ô, macuquenta, vem pra cá”. Em 15 minutos tava ela lá com a garrafa de Pitu e um monte de limão. Quem tem amiga assim, precisa mais? Ia entortar. A faxina da manhã seguinte me aguardava. Mas era só tomar um “Angov” antes e depois.









