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‘Céu de Janeiro’ marca estreia da escritora francana Naiara Alves

No mês da mulher, nós mulheres francanas [do mundo], fomos presenteadas por Naiara Alves com o lançamento de seu primeiro livro ‘Céu de Janeiro’. A francana, de coração mineiro, reuniu contos sensíveis como A valsa das flores, Piano Bar, Matança, entre outros, e nos apresentou a uma obra ‘potente e vigorosa’ para usar as mesmas palavras de outra escritora francana, Ligia Freitas, que assina a orelha do livro.

Aos 35 anos, Naiara Alves chega para entusiasmar todos leitores e leitoras que há muito conhecem seus textos, que circulam entre nós. Filha única, tem formação em Administração de Empresas e em Letras/Literatura pelo Uni-FACEF. Foi mediadora do Leia Mulheres Franca (2019-2022) e uma das escritoras responsáveis por organizar a foto do movimento Um Grande Dia em Franca. Ministrou oficinas de escrita no Senac Franca e no projeto Pão Nosso: escrever os dias. Tem vários textos publicados.

Perguntada sobre seu processo criativo, ela explica: “Meu processo criativo não é nada linear, de modo geral. Enquanto escrevia o Céu, tomei uma distância absurda do resto do mundo”.  Em junho, a escritora apresentará seu livro na Academia Francana de Letras, em evento aberto ao público.

Este é seu primeiro livro?

Céu de Janeiro é meu primeiro livro publicado. Pouco antes de iniciar a escrita do Céu, “perdi” outro livro – um romance – por excesso de técnica. Fiquei tão obcecada por dominar o fazer literário que isso afetou de forma (muito) nociva a minha relação com a palavra, naquele momento.

E como foi seu processo criativo?

Meu processo criativo não é nada linear, de modo geral. Enquanto escrevia Céu de Janeiro, tomei uma distância absurda do resto do mundo. Ao mesmo tempo, me sentia como uma espécie de “antena”, atenta a tudo o que pudesse ser captado e transmutado em palavra. Sou uma escritora mais visceral, mais subjetiva e, por isso, o meu maior desafio é justamente conciliar minha sensibilidade com o conhecimento técnico necessário para a construção de um bom texto.

Quem são suas maiores influências?

Evitei ler outros livros enquanto escrevia, pois tudo me atravessa quando estou em processo criativo – até mesmo aquilo que nego. Posso afirmar que tenho como influência primeira a Poesia. Aquela que transcende a palavra, que pulsa no ordinário da vida. Também utilizo outras vertentes artísticas como fonte de inspiração, para além da literatura – música, dança, pintura, etc.

Em relação à arte literária, para além de processos criativos específicos, não posso deixar de citar Clarice Lispector, Hilda Hilst, Carola Saavedra e Ana Martins Marques. Essas autoras são, sem sombra de dúvidas, minhas maiores influências na escrita – com textos que ultrapassam, a meu ver, o limite do papel. Transitam entre o silêncio absurdo e o mais selvagem grito. Isso dialoga diretamente com o que quero imprimir no meu trabalho como escritora. 

Sempre quis ser escritora?

Sempre é tanto tempo, né? Ainda assim, é um espaço cronológico que cabe na minha relação com a Palavra. Posso dizer que sempre quis ser escritora, sim.

Você foi uma das mediadoras do Leia Mulheres Franca que este ano completou 7 anos. Como você avalia hoje o número de leitores(as). Afinal, estamos lendo mais ou menos?

Acho que estamos lendo pior. Há uma tendência, por parte dos leitores, de “exigir” que as construções narrativas entreguem demais, que todo o potencial interpretativo esteja impresso ali mesmo, na camada primeira que se apresenta impressa na folha. Isso me preocupa bastante – tanto no papel de leitora como no papel de escritora. Assumimos uma postura passiva e inerte diante da literatura, uma provável herança do uso excessivo das telas. Passamos a desconsiderar a posição fundamental que o leitor deve ocupar diante do texto. O que vejo – e lamento – é que, cada vez mais, clamamos por narrativas esgotadas em si mesmas, com “moral da história” escancarada em letras garrafais. Estamos desconsiderando que arte é, sobretudo, provocação.    

Qual foi o livro mais recente que você leu?

Vou citar dois que foram experiências ímpares de leitura. A elegância do ouriço, de Muriel Barbery, que entrou para a lista dos meus favoritos da vida. Li também O livro das semelhanças, de Ana Martins Marques – amo tudo o que a autora escreve, sou fã de carteirinha.

O que os leitores e leitoras vão encontrar nos contos em Céu de Janeiro?

Céu de Janeiro fala sobre o ser, existir e resistir mulher no mundo. São onze contos em prosa poética que visam, sobretudo, honrar a Poesia do feminino – e suas dores.

Serviço

Céu de Janeiro está disponível para compra com a própria autora em Franca por meio de suas redes sociais ou pelo site da editora Litteralux (https://www.editoralitteralux.com.br/autor/MTExMQ==/Naiara_da_Silva_Alves)   e na Amazon.

Soraia Veloso

Doutora em Serviço Social, especialista em estudos sobre mulheres e escritora. @soraiavelosocintra

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