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“Bucho o garay”

Inhaim?

Não ‘discia’ mesmo e eu cada vez mais desesperada. Nunca pensei que sentiria falta de “modis” grudado na “carçola” na vida. A garrafada que a benzedeira de araque fez esvaziou meu bolso… o “uter” e os “ovar” continuam cheios. Os negócio, as minhas “regra”, não “discia”.
Tobiniana contou meu caso para a avó dela, a Dona Dalva Gina do Breu Azedo, que mandou eu tomar chá de canela bem quente (um litro por dia) e junto um copo de água de azeitona. Justo azeitona que é cara? Não podia ser água de “sarsicha”? Mas a mistura da Dona Dalva Gina só serviu para eu dar um pum azedo. Nada de descer.

Fiquei tão doida que o “picicológico” abalou. Eu, como todo pobre, tenho “pobrema nos nelvos”. Via menino e “muié” grávida, buchuda, em todo lugar. Estufava a barriga no espelho pra ver como eu ia ficar grávida, me sentia inchada, atacava comida como se fosse um leão (cismei com pão com goiabada, era desejo), ia ao banheiro umas vinte vezes por dia (grávida mija muito), fiz um monte de promessa (aprendi a rezar na marra), “estamo embruiano”, o verdadeiro inferno na terra.

O pior dia foi quando a Lolosa entrou no barraco e me pegou abraçada com um pacote de “modis” chorando e fazendo declaração de amor pra ele: “Eu não vivo sem você, como você me faz falta…”.
Pra me distrair, Lolosa inventou de arrumar meus “pé”. “Pois” os danado de molho na água com sabonete Dove, bicarbonato e vinagre (ela disse que eu estava com chulé. Chulé é o caraio…) Pra piorar ela achou oito bichos de pé. Dois no pé esquerdo e seis no pé direito. Peguei no dia que o barraco inundou. Também, fiquei andando descalça que nem barata tonta, no meio daquela bosta, salvando as coisas. Com uma “agúia” foi tirando os danados. Quase morri de dor. E mesmo assim a “regra” não desceu.

Decidi: vou procurar um médico. Se era para encarar a realidade e ganhar o Bolsa Família por causa do menino, eu iria. Fui no Posto de Saúde e tive que esperar uma semana. Nem a Nininha me agradava. Nem dar trato pro Lôro que só fala “vai tomar no cu, vai tomar no cu”, nem o Tedão eu escovei, as galinhas tavam lá com os ovos para eu recolher…
Enfim passou a semana. O médico era conhecido por Dr. Perereca Feliz (cidade pequena, sabe como é, né?). Ele resolvia os problemas da “muierada”.

O homem me mandou deitar naquela posição de frango assado e me “enzaminou”. Me perguntou se eu tinha feito “enzame” de sangue pra confirmar o bucho. Fiz e deu negativo. Dr. Perereca disse que eu tinha gravidez picicológica e fez uma lavagem em mim. Saí correndo para o banheiro e fiz como nunca fiz antes na vida. A barriga fazia “bruuuuuuuuu”.
Que vergonha. Ir ao médico e escutar que eu precisava era merdiar.

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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