BC para a redução dos juros

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, em sua reunião de quarta-feira (19) fixou nos 10,5%, que já vigoravam, a taxa Selic para esse mês. Com isso parou o movimento de redução dos juros, iniciado no ano passado. E, de outro lado, reafirmou a independência da instituição frente ao governo. De nada valeram as críticas do presidente Lula, que atacou o presidênte do banco e clamou pela redução dos juros. É um quadro desagradável que poderia ter sido evitado e analistas afirmam ter sido usado pelo chefe do governo como forma de enfrentar a queda de popularidade revelada pelas pesquisas de opinião. Popularidade é algo de que os pré=candidatos – como é o caso de Lula – não podem prescindir se quiserem continuar com caminho aberto para as próximas eleições. A que interesará a Lula se realizará daqui a dois anos e alguns meses.
Com sua inequívoca experiência política, o chefe do governo tem feito todo o possível para surfar na crista da onda política, mas vem enfrentando dificuldades com o Congresso Nacional e na execução da política econômica. A insegurança que suas falas ácidas provoca tem levado apreensão ao povo e até dentro do seu quadro de aliados. E a tendência é mais dificuldades breves na execução da desoneração previdênciária e em outras pautas econômicas que os congressistas já decidiram e o governo tem tentado executar de outra forma. Com os anos de militância e a bagagem política que leva às costas, Lula deve saber o que está fazendo e, se não souber, pagará o preço. O importante é que a conta não sobre para a população.
O clima ruim entre os poderes coloca os investidores em estado de alerta e, em vez de colocar suas economias em nosso país, eles buscam outros mercados. É por isso que o dólar tem subido de preço e as bolsas de valores estão operando em baixa. Ninguém quer colocar seu capital num lugar onde não tenha a certeza de receber seus dividendos no dia aprazoado ou sofrer qualquer outro revês.
Os Três Poderes são os pilares da República. Devem ser independentes e harmônicos conforme determina a Constituição. Essas duas premissas devem colocar governo, congressistas e os operadores do Judiciário cautelosos de forma a garantir a paz ao poder público nacional. Sem ela, a vida do País se tornará mais difícil porque em vez de serem solidários na construção de soluções aos problemas, os entes se anularão se atuarem como contendores do conhecido cabo-de-guerra, onde cada um puxa para um lado. É preciso bom senso e entendimento em alto nível, diante da certeza de que das decisões dessa estrutura de poder depende o bem-estar dos 203 milhões de brasileiros.
O cidadão aguarda que o País evolua e ofereça oportunidades de estudo, trabalho, renda e prosperidade aos seus filhos. Anualmente um grande contingente de jovens atinge a idade de ingresso no mercado de trabalho. Os poderes públicos têm o dever de criar condições para que a economia funcione de forma a crescer e absorver esses jovens e, além disso, manter a estrutura de empregos que conduza todos os trabalhadores até o momento de sua aposentadoria. Se não fizer dessa forma, nenhum governo terá cumprido sua finalidade e nem garantirá a paz social, que todos prometem defender quando assumem seus postos.
Os titulares dos Poderes da República, para cumprir suas finalidades, precisam buscar a paz e o entendimento. O governo ao executar as leis aprovadas pelo Parlamento; os parlamentares não criando dificuldades que impeçam a ação governamental. E o Judiciário evitando imiscuir-se em questões típicas dos outros dois poderes. Importante ter em mente que a política partidária tem seus limites mas não impede que os diferentes sejam convergentes quando o que estiver em jogo for o interesse do País e do povo. Retomando o tema dos juros, esperamos que a decisão do Copom tenha sido tomada dentro do mais absoluto critério técnico e sustentável e tenha passado longe do propósito de “dar o troco” ao presidente da República. Precisamos de paz para evoluir…







