“Vinde, Pai dos pobres!”

A festa solene de Pentecostes conclui o Tempo da Páscoa, quando a Igreja pede, acolhe e celebra o cumprimento da promessa feita por Jesus: a vinda do Espírito Santo. Há muitas narrativas de experiências e manifestações do Espírito Santo no Novo Testamento, as duas lidas na liturgia são mais solenes. Enquanto em Atos dos Apóstolos, o Pentecostes é mais movimentado: “veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania” (At 2,2), em João, Jesus soprou sobre os discípulos e falou: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22): há um sopro sereno e doce e uma palavra de consolo.
O Espírito é a tradução do termo hebraico “ruah”, no Antigo Testamento e do termo grego “pneuma”, no Novo Testamento, que possuem vários significados: ar, brisa, vento, fôlego, respiração, hálito e sopro. Os significados remetem ao poder, à liberdade, à delicadeza, intimidade, quietude e transcendência do Espírito de Deus.
“Vinde, Espírito Santo!” O Espírito é uma presença, é o nosso intercessor, aquele que age em nosso favor, auxilia, protege e sustenta.
“Enchei os corações dos vossos fiéis”. O Espírito realiza funções na vida da Igreja e dos fiéis, concede carismas para os serviços, em vista do bem comum, e dons para a santidade pessoal. Também é o Espírito que gera harmonia, comunhão e unidade na Igreja.
“Acendei neles o fogo do vosso amor”. O Espírito é o amor de Deus derramado em nossos corações. Ele possibilita em nós a experiência do perdão, do temor filial, do zelo apostólico e do amor, que dão sentido e orientação à vida.
“Tudo será criado, e renovareis a face da terra”. O Espírito Santo é criador, tem a força de vida. Na sua ação criadora, ele faz o mundo criado passar do caos ao cosmos, renova a face da terra, torna o mundo novo, belo, ordenado e limpo.
Ele ilumina as trevas, gera harmonia interior e faz de cada ser humano uma nova criatura, transforma e cura o nosso interior, a nossa vida e a realidade que nos cerca.
“Instruístes os corações dos vossos fiéis… Fazei que apreciemos retamente todas as coisas”. O Espírito é o mestre que ensina, dá testemunho de Jesus, conduz e nos ajuda a discernir e apreciar com retidão as coisas e chegar à verdade.
“Gozemos sempre da sua consolação”. O Espírito Santo é alegria e a consolação verdadeira e perfeita. Quando o Pai nos ama e o Filho nos redime, recebemos o gozo do Espírito.
O Espírito age em nós, mas com a nossa participação. Por isso, algumas atitudes são fundamentais para acolher a sua ação: o desejo, a humildade, a prática da oração e a obediência. Podemos perceber e experimentar a ação do Espírito: quando alguém fala de Deus de tal maneira que os outros abraçam a fé; quando alguém dá a sua vida pelo Evangelho; quando respira paz, alegria e esperança; quando as pessoas se perdoam e se reconciliam; quando há harmonia nas famílias; quando se faz o bem; quando há solidariedade, respeito pela vida e pelos bens da criação.
Para vivermos plenamente a nossa missão e assumirmos com fidelidade, entusiasmo e zelo os compromissos cristãos e humanos, precisamos da presença do Espírito. Por isso clamamos com confiança: “A nós descei, divina luz!”
Dom Paulo Roberto Beloto.







