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Agora sou poeta! Virei Sera Serafina

Inhaim?

Depois de uma ressaca das bravas, veio um facho de luz (e não era o sol) e me inebriou a alma. Liguei pra Lolosa: “Lolosa, sou poeta. Me veio um raio de inspiração e vou ganhar dinheiro vendendo poesia. Fiz meus planos com o Tedão, meu burro superdotado. Em homenagem a Cora Coralina, adotei o codinome de Sera Serafina e vou produzir mais do que o Jorge querido, digo Amado.
Vou lançar o livro na casa da Maria do Bairro com cangibrina e tira-gosto de salame. Tem umas coisinhas de esteorologia, escatologia, estereografia, sei lá que diabo é isso. Mas putaria também é poesia. Alguém já falou isso, não sei quem foi. Mas são minhas as poesias e o meu “eu lírico!” está à flor da pele.”

Com vocês, os versos de Sera Serafina:

“A gente senta na beirada do penico/
Pensando que é gente rica/
Dá vontade de cagar/
Estufa a veia do pescoço/
Casa fino e caga grosso/
Caga até o sul rachá”

“Era uma vez um casinha/
Lá no alto do morro/
Toda vez que eu subia/
Vinha um cachorro/
Que mordia com força/
E deixava qualquer leão no bolso”/

“Como posso te esquecer?/
Se os seus beijos tinham gosto de merenda escolar?/
Apesar do seu dente cariado na frente/
Com uma coloração verde-musgo/
Jamais me esquecerei do hálito/
Que cheirava a caralho/

Gosto de tomar biritas/
Mas sou fresca/
Se a pinga não for da boa/
Cuspo de banda e chamo o dono do boteco/
Nele dou um tapaço e ao invés de pinga, exigo conhaque”/

Tenho que pensar noutras poesias. O raio entrar de novo. Semana que vem tem continuação… Eu juro pela Nininha. Também sou gente. Gente pobre, mas sou.

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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