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A volta do Governo aos Campos Elíseos

Está pronto – e foi anunciado na última terça-feira (06) – o projeto de retorno da sede do governo do Estado aos Campos Elíseos, tradicional área do centro paulistano, hoje problemático justamente pela ausência da estrutura governamental. Nos anos 60, o então governador Adhemar de Barros, transferiu o governo para o Morumbi, em busca de tranquilidade para trabalhar sem o assédio de cidadãos e desocupados que, na época, circulavam pela sede do governo. A mudança para o Palácio dos Bandeirantes pode ter alavancado o desenvolvimento do Morumbi, mas o vazio deixado no centro foi o começo do seu sucateamento.
O projeto – de autoria do arquiteto Pablo Chakur, é definido por ele mesmo como algo contemporâneo que deve atender às necessidades da administração estadual mas também vislumbrar os interesses da comunidade para, dentro de algumas décadas – talvez 50 anos – poder continuar como sede governamental ou ter outros usos, mas não constituir-se em peça problemática ou inservível do ambiente urbano.
O projeto, selecionado pela comissão do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP) ainda estará aberto a possíveis recursos de outros concorrenters quanto à sua classificação. No próximo dia 19, porém, deve ser homologado para o Governo do Estado iniciar as providências de constituição da PPP (Parceria Público Privada) que viabilizará os recursos para a obra. Essa parceria definirá não só a construção, a origem dos investimentos, mas também a administração dos imóveis resultantes, uma espécie de garantia de que o empreendimento jamais será abandonado ou sub-utilizado – como já aconteceu com muitos pertencentes ao poder público – já que haverá a presença do investidor privado cuidando do patrimônio e o disponibilizando ao usuário que será o governo ou até o setor privado, conforme as conveniências da época. O bem privado – como será o caso – tem um interessado para dele cuidar, quanto o bem público, na Brasil,, constuma ser negligenciado e, mesmo sendo de todos, parece não ser de ninguém.
A nova sede governamental será algo diferente do antigo Palácio dos Campos Elíseos que, depois da mudança do Governo, passou a abrigar órgãos estaduais. Deverá trazer para o centro a estrutura que hoje ocupa parte do Palácio dos Bandeirantes. Paralelamente à sua construção e implantação, terá de ser resolvido o problema da cracolândia e – mais que isso – buscadas soluções de moradia para que pelo menos uma parte dos trabalhadores do novo centro possa residir na área. Imóveis já construídos deverão ser transformados para utilização residencial e terrenos ainda disponíveis abrigar novos projetos. Uma verdadeira revitalização.
A degradação do centro é um fenômeno qeue se estende por todo o País. Na falta de planos diretores exigentes, as cidades – tanto capitais quanto as médias e até pequnas – em vez de resolver os problemas estruturais na medida em que iam surgindo, optaram por incentivar o crescimento rumo às periferias. O resultado é o que temos hoje. Bairros distantes, que constituem cidades praticamete autônomas, e as áreas tradicionais desvalorizadas e portadora de problemas que, se tivessem sido bem administradas no passado, jamais ali se instalariam.
Acreditamos que o projeto da nova sede do governo de São Paulo tem tudo para oferecer ao Brasil – e às centenas de cidades de centro problemático – o modelo para a revitalização e o bom aproveitamento da sua área central. Quanto aos bairros que surgiram na esteira da desvalorização do centro, poderão ser gradativamente redefinidos e, na medida do possível, irem ganhando autonomia tanto administrativa quanto econômica.
No caso específico de São Paulo, é evidente que o Palácio dos Bandeirantes deverá continuar como sede política e centro de devisões governamentais. Mas não com repartições de circulação do público. A população deve ser atendida e despachar seus interesses no centro da cidade e, sempre que possível, ter os serviços a ela destinados agrupados numa mesma área. É prático e econômico. Que os nossos Campos Eliseos voltem, o mais breve possível, a ter a importância de décadas passadas…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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