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A cultura do crime no Brasil

Como a grande mídia e a esquerda moderna romantizam a marginalidade

Há cerca de três meses (24/3), testemunhamos uma homenagem pública há um dos líderes do Comando Vermelho no Lollapalooza Brasil, um dos festivais de música mais prestigiados do País. Oruam, rapper com mais de 8,7 milhões de seguidores no Instagram, filho de um dos maiores líderes do Comando Vermelho, Marcinho VP, que se vangloria, em suas músicas, por ser o “filho do dono”, se sentiu à vontade para fazer um protesto durante o evento em favor de seu pai, condenado por tráfico e por diversos homicídios.

Bem, a situação descrita e ilustrada acima mostra um problema de suma importância que o Brasil enfrenta. Nos últimos anos, a cultura do crime se espalhou de maneira alarmante, contaminando diversos setores da sociedade. Este fenômeno é impulsionado principalmente por pensadores marxistas e a grande mídia, que, através das suas narrativas, difundem os princípios e valores do mundo do tráfico e do crime em geral. A apologia às drogas e ao crime nas produções artísticas e a vilanização das forças policiais pela mídia têm contribuído para o enraizamento dessa cultura perniciosa.

Tanto para aqueles que vivem no mundo do crime quanto para aqueles que o observam de fora, a imagem do marginal, especialmente do traficante, exerce um fascínio profundo. Para os primeiros, ele representa uma luta contra a ordem estabelecida, um caminho para a riqueza, o poder e uma vida sexual intensa. Por exemplo, o funk frequentemente relaciona os criminosos e o porte de armas com o desejo sexual das mulheres. Mulheres estas que, pela letra das produções artísticas em questão, buscam ascensão social conectando-se a esses marginais, que supostamente fornecem segurança e dinheiro. Por outro lado, é fundamental observar como essa imagem afeta os grupos que não estão no mundo do crime, como a classe artística, a mídia e os pensadores e filósofos contemporâneos com inclinações marxistas.

Esses grupos, conhecidos por serem lenientes com as práticas criminosas, preferem idealizar o marginal como um herói moderno e urbano. Na tradição revolucionária da esquerda, o criminoso é visto como um agente de ruptura da ordem capitalista injusta, um tipo de Robin Hood que defende o proletariado contra a ganância da burguesia. Contudo, na realidade atual, os principais alvos dos crimes são os próprios “proletários”, trabalhadores das classes econômicas mais baixas da sociedade, que têm seus pertences roubados e suas crianças aliciadas pelos criminosos. Essa realidade é frequentemente ignorada pelo rico e certos privilegiados de esquerda, que, de sua posição confortável, idealizam o criminoso como se estivesse observando um animal no zoológico.

Os pensadores de esquerda frequentemente enxergam o marginal como um combatente contra a injustiça e a opressão do sistema, desconsiderando suas tendências para o mal. A destruição do patrimônio público e as letras de funk, que exaltam sexo e violência, são vistas como expressões de liberdade contra uma sociedade opressora. Mesmo quando os policiais são negros, seus assassinatos são interpretados como uma defesa contra um suposto aparato policial racista. Para esses pensadores, o policial é o antagonista que busca reprimir a luta libertadora dos criminosos.

A mídia também contribui para essa narrativa fantasiosa, dando mais valor a vida de um criminoso “vítima da sociedade” do que para a vida de um policial, enquanto raramente destaca os abusos e violências sofridos pelo restante da população. Suas verdadeiras vítimas, algumas julgadas por seu estado paralelo, como um ‘tribunal do crime’, caem no esquecimento antes do sétimo dia. E assim, o tráfico se beneficia enormemente da disseminação de seus valores, tornando-se um componente cultural enraizado.

A cultura do crime é frequentemente justificada como uma resposta às necessidades básicas de fome e segurança dos marginalizados pela sociedade. No entanto, essa é uma falácia amplamente propagada por esses meios de comunicação de massas e pelas universidades. Pela cultura do crime é incentivada a instigação dos jovens a ascenderem rapidamente para posições de poder e riqueza, tomando atalhos, perigosos, sem que precisem se submeter às regras e deveres impostos pela sociedade.

A complacência com o crime não vem das áreas marginalizadas, como a esquerda moderna quer fazer acreditar, mas das áreas elitizadas, onde os problemas do caos urbano e a dificuldade de acesso à polícia são menos sentidos. A título de exemplo, em São Paulo, o fato de as pesquisas eleitorais demonstrarem que Boulos, que é pré-candidato a prefeito pelo PSOL, possui melhores índices entre os mais ricos do que entre os mais pobres, ilustra bem essa dissonância entre a elite e os verdadeiros afetados pelo crime.

Diante todo o exposto, é evidente que o Brasil enfrenta um problema sem precedentes. A guerra cultural deve ser travada com o intuito de proteger os valores morais e impedir a destruição dos alicerces da civilização brasileira, lutando pela manutenção de suas instituições e pela segurança da população trabalhadora e empreendedora.

A idolatria ao crime, alimentada por narrativas irresponsáveis, precisa ser combatida com firmeza e clareza, a começar, na minha opinião, pela ampliação de leis penais mais rigorosas, diminuindo o coitadismo penal que tomou conta da legislação brasileira. Se bem que este é um assunto que deve ser abordado em um próximo artigo desta coluna.

Dr. João Pedro Cardoso

Bacharel em Direito (Faculdade de Direito de Franca – 2015 a 2020). Cursando o 2° ano da Academia MBL. Trazer uma visão crítica e fundamentada sobre os acontecimentos políticos por meio de análises embasadas na realidade. Meu objetivo é contribuir para o jornal com uma abordagem que fuja do pensamento dualista e promova uma discussão construtiva.

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