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Há mais de 50 anos ligado ao café na região, Getúlio Minamihara recebe título de Cidadão Francano

Engenheiro agrônomo e produtor de cafés especiais chegou a Franca ainda adolescente; homenagem foi proposta pela vereadora Lindsay Cardoso e aprovada pela Câmara

Uma relação iniciada ainda na adolescência e construída ao longo de mais de cinco décadas entre cafezais rendeu ao engenheiro agrônomo e produtor rural Getúlio Mitsuhiro Minamihara o título de Cidadão Francano. A homenagem foi entregue nesta sexta-feira (18), durante solenidade no plenário da Câmara Municipal de Franca.

Nascido em Assaí, no Paraná, Getúlio chegou a Franca aos 15 anos. Hoje, aos 68, tem sua trajetória diretamente ligada à cafeicultura e à produção de cafés especiais na região.

“Estou aqui desde quando completei meus 15 anos, bem no dia do meu aniversário. Daí em diante estou direto aqui em Franca, plantando café, colhendo café, produzindo café. Estamos nessa já há 53 anos”, contou durante a cerimônia.

A homenagem foi proposta pela vereadora Lindsay Cardoso (PP), por meio do Projeto de Decreto Legislativo nº 12/2025. A proposta foi aprovada pela Câmara em 19 de agosto, com 14 votos favoráveis e nenhum contrário entre os vereadores que participaram da votação.

Do Paraná para a cafeicultura da região

A história de Minamihara com o café atravessou gerações e evoluiu para a produção de cafés orgânicos e especiais.

Formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP, Getúlio desenvolveu sua atividade na Fazenda Minamihara, em Cristais Paulista, na região de Franca. Informações divulgadas pela própria Câmara quando da aprovação da homenagem destacaram seu trabalho com métodos como agricultura biodinâmica e agrofloresta.

A produção familiar também ganhou projeção fora do Brasil. Reportagem da Associação do Comércio e Indústria de Franca (ACIF), publicada em 2020, já apontava que a propriedade trabalhava com dezenas de variedades de cafés orgânicos e especiais e destinava grande parte da produção à exportação.

Um dos diferenciais da propriedade é o cultivo de café em meio a abacateiros, sistema que proporciona sombreamento e cria uma dinâmica própria dentro da lavoura.

Solo, natureza e cafés especiais

Durante a homenagem, Getúlio falou sobre como sua maneira de produzir mudou com a experiência adquirida ao longo das décadas.

Para ele, produzir café deixou de significar apenas plantar, adubar e colher. O produtor passou a dedicar atenção especial à interação entre as plantas e à vida existente no solo.

“Hoje nós valorizamos muito os microrganismos do solo, que são fungos e bactérias”, explicou.

A observação da própria lavoura também levou a família a explorar cafés originados de plantas que surgem naturalmente entre os abacateiros. A existência desse trabalho é descrita pela própria marca, que mantém microlotes desenvolvidos a partir dessas plantas.

Outro exemplo são experiências de colheita seletiva em períodos específicos, incluindo lotes colhidos durante a Lua Cheia, dentro das técnicas utilizadas pela propriedade.

Título foi aprovado pela Câmara

A concessão do título partiu da vereadora Lindsay Cardoso.

Ao justificar a homenagem, a parlamentar destacou a atuação do produtor na economia local, especialmente pela geração de empregos e pela atividade desenvolvida ao longo dos anos.

O Projeto de Decreto Legislativo nº 12/2025 foi apresentado em 25 de julho e levado à votação em 19 de agosto. A proposta recebeu 14 votos favoráveis, sem votos contrários ou abstenções entre os votantes.

O título de Cidadão Francano é concedido a pessoas que não nasceram no município, mas cuja trajetória e atuação são reconhecidas pelo Legislativo local.

Durante a cerimônia, o vereador Marcelo Tidy (MDB) também ressaltou a relação construída pela família Minamihara com Franca e a divulgação do café produzido na região.

“Estou muito feliz”

Familiares, amigos e convidados acompanharam a solenidade.

Ao receber a homenagem, Getúlio lembrou a acolhida que encontrou desde que chegou à cidade ainda adolescente.

“Os francanos são bem acolhedores”, afirmou.

No encerramento, o produtor dividiu a homenagem com a família e agradeceu pelo reconhecimento.

“Hoje a gente está sendo acolhido mais uma vez. Nossa, eu estou muito feliz, minha família, minha esposa, meu filho. Muito obrigado por tudo.”

Mais de meio século depois de chegar a Franca, a homenagem oficializa uma relação que, para Getúlio Minamihara, começou e se consolidou principalmente por meio do café.

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É jornalista e editor da Folha de Franca

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