Polícia

GAECO mira grupo suspeito de vender roupas falsificadas pelo Mercado Livre e movimentar milhões em Franca

Operação Mimesis cumpre buscas em sete endereços nesta sexta-feira (18); investigação analisou mais de 541 mil lançamentos bancários e Justiça bloqueou bens e até R$ 3 milhões em ativos financeiros

Sete endereços de Franca são alvo de mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (18) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga um grupo suspeito de manter uma estrutura organizada para produzir, armazenar e vender réplicas ou produtos de vestuário falsificados, sem autorização das marcas. Segundo o MPSP, as vendas eram realizadas pela internet, com destaque para a plataforma Mercado Livre.

Batizada de Operação Mimesis, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Núcleo Franca, e conta com apoio da Polícia Militar e da Receita Federal.

O objetivo das buscas é apreender materiais e reunir novas provas para o prosseguimento das investigações.

Até o momento, o MPSP não informou sobre prisões decorrentes da operação.

Diferentes contas de vendedores são investigadas

Segundo o GAECO, a investigação identificou indícios de uma estrutura que utilizaria diferentes pessoas físicas e empresas, além de contas bancárias e cadastros de vendedores em plataformas de comércio eletrônico.

Embora essas contas e empresas fossem formalmente distintas, a apuração encontrou, segundo o Ministério Público, sinais de integração operacional e financeira entre elas.

No caso das vendas pela internet, o MPSP informou que o Mercado Livre era uma das plataformas utilizadas para a comercialização dos produtos investigados.

É importante destacar que a investigação é direcionada aos vendedores e pessoas investigadas, e não à plataforma de comércio eletrônico.

Investigação aponta divisão de tarefas

De acordo com o Ministério Público, os elementos reunidos até agora indicam que diferentes pessoas teriam funções específicas dentro da estrutura investigada.

As atividades incluiriam administração das vendas e dos pedidos feitos pela internet, gerenciamento das contas de vendedores nos marketplaces, além da confecção, armazenamento e comercialização das roupas apontadas como réplicas ou produtos falsificados, sem autorização das respectivas marcas para comercialização.

A decisão judicial que autorizou as buscas considerou a existência de indícios de articulação entre os investigados e de locais que seriam utilizados para produção e armazenamento das mercadorias, conforme informou o MPSP.

Mais de 541 mil movimentações bancárias foram analisadas

A dimensão financeira é um dos principais pontos da investigação.

Entre janeiro de 2021 e julho de 2024, foram analisados 541.741 lançamentos bancários relacionados às contas das pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Segundo o MPSP, essas contas registraram aproximadamente R$ 104,6 milhões em créditos e R$ 95,2 milhões em débitos durante o período analisado.

Esses números representam movimentações bancárias identificadas na investigação. Eles não significam, por si só, que R$ 104,6 milhões correspondam a vendas de produtos falsificados ou ao lucro obtido pelo grupo. Essa relação ainda depende da análise das provas e do avanço da investigação.

Justiça determina bloqueio de bens

Além de autorizar as buscas nos sete endereços, a Justiça determinou medidas patrimoniais contra os principais investigados.

Segundo o Ministério Público, houve determinação para sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 3 milhões.

A medida busca preservar patrimônio durante o andamento da investigação e não representa, isoladamente, uma condenação dos investigados.

Material apreendido será analisado

O GAECO deverá agora analisar documentos, equipamentos e demais materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados.

Esses elementos poderão ser confrontados com os dados bancários, contas utilizadas nas plataformas de comércio eletrônico e demais informações já reunidas.

A investigação continua para esclarecer a atuação individual de cada pessoa envolvida e verificar a extensão da estrutura investigada.

Os alvos não devem ser tratados como condenados: a Operação Mimesis está em fase investigativa e as responsabilidades ainda serão apuradas.

Notícias de Franca

É jornalista e editor da Folha de Franca

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