Religião

Tu vens, eu já escuto os teus sinais

Para acolher Aquele que vem, o Messias, São João Batista nos diz que se faz necessário a conversão, isto é, voltar-se para Deus, mudar de rumo, reorientar a própria vida: recuperar aquela unidade entre a vida e a palavra, entre o dizer e o fazer. Não há mais tempo para se hesitar, deixando a vida fluir sem sentido. A salvação está próxima. O Messias está próximo! E se o Messias está próximo, é preciso se preparar.  São João Batista dá indicações muito sóbrias e essenciais sobre as modalidades dessa preparação. Os fariseus e saduceus em sua mentalidade, se consideravam bons pelo simples fato de pertencer a um povo, de ter uma tradição própria, de serem frequentadores do templo. A presunção de sentir-se justo é um perigo do qual devemos nos livrar. 

Antes da vinda do Senhor, o dia do Senhor, segundo alguns estudiosos das Sagradas Escrituras, o profeta Elias teria vindo preparar o povo para o encontro com Deus, Salvador e Juiz. Esta esperança é confirmada por Jesus que, no entanto, nos convida a discernir esta presença profética em João Batista, que veio entre aqueles que não o reconheceram, mas fizeram com ele o que queriam (cf. Mt 17, 10-13). Precisamente porque no Advento esperamos a vinda do dia do Senhor e, portanto, do Filho do homem, a Igreja nos faz deter no ministério de João: ministério de preparar o caminho para a manifestação de Jesus a Israel. A sua pregação, de facto, é mais atual do que nunca, de modo especial neste tempo, em que nos preparamos para o Natal.

“João chega” como pregador no deserto da Judéia, a sudeste de Jerusalém, nas terras ao redor do Jordão, afluente do Mar Morto. Multidões acorrem a este novo anúncio de Jerusalém e da Judeia, aceitando o convite do profeta: confessam os seus pecados, responsabilizam-se perante Deus pelo mal que cometeram, arrependem-se e com ação decidida e vivida e são imersos no Rio Jordão por João que testemunha sua purificação e sua mudança de vida. É como um novo começo, também porque João aparece como o profeta designado por Isaías como o arauto da libertação definitiva, do novo êxodo, da criação de um novo céu e de uma nova terra (cf. Is 40,1-11).

Neste tempo se faz necessário a abertura à iniciativa de Deus, para que a nossa vida possa dar bons frutos.

Fonte: Padre Andrea Vena e Enzo Bianchi.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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