Tempos de Crise

Embora tenha sido certamente um gesto heroico, a imagem da orquestra do Titanic tocando até o fim, enquanto o transatlântico afundava, continua sendo uma imagem emblemática de um mundo que não quer ver o que está acontecendo. Na verdade, acontece que em tempos de crise somos mais induzidos a procurar situações que possam nos distrair. Trata-se de um mecanismo de defesa que criamos automaticamente, mas que ao mesmo tempo corre o risco de nos impedir de agir para encontrar recursos adequados que possam nos ajudar a enfrentar a crise e superá-la.
O mesmo também acontece nas crises pessoais e relacionais, quando somos tentados a focar nossa atenção em outra coisa para não tomar consciência do que está acontecendo: é uma reação que nos permite evitar o sofrimento do momento, mas que não resolve o problema, aliás, muitas vezes, complica e se agrava, mais e mais. O tempo da crise é um tempo apocalíptico, ou seja, como a palavra diz, revelador. Na crise somos descobertos, desnudados. Em situações difíceis, as pessoas esquecem o bem comum e começam a calcular como salvaguardar os seus interesses.
Em tempos de crise, até a mensagem do Evangelho se torna ambígua. Jesus já prevê que também sua palavra será utilizada de forma equivocada, e por isso dirá aos discípulos: “Cuidado para não serdes enganados. De fato, muitos virão em meu nome dizendo:” Sou eu “, e: “O tempo está próximo“, “não sigais essa gente!” (Lc 21:8). Quando temos medo, não estamos lúcidos, queremos respostas fáceis e imediatas. Alguns se aproveitam dessa fraqueza. Devemos estar atentos e verificar cuidadosamente se o que nos é apresentado como mensagem libertadora, o é realmente de fato.
Em tempos de crise não é fácil manter o equilíbrio, por isso Jesus nos convida a exercer a virtude do ypomonè , expressão que significa perseverança, mas também paciência; literalmente significa estar apoiado em algo firme, mas também significa suportar os embates da vida. Ambas as atitudes são fundamentais quando vivenciamos momentos cansativos e sombrios. É exatamente o oposto muitas vezes da atitude dos discípulos que querem fugir e se libertar de todos os fardos ou de uma situação complicada.
O texto do Evangelho de Lucas 21, 5-19, pode ser um convite para nos despertar e assim possamos nos organizar a fim de tentarmos encontrar estratégias para enfrentar a crise, sem nunca perder a íntima convicção de que o Senhor está conosco e não abandona o navio ou a barca sem antes nos salvar. No caso da Barca de Pedro, a Igreja, jamais a abandonará.
Reflita:
- Como você definiria este tempo em que estamos vivendo e qual é a sua atitude?
- Em momentos de crise, você é capaz de confiar em Deus ou se deixa vencer pelo desânimo e pela desconfiança?
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, cortesia do Pe. Gaetano Piccolo SIM









Em tempo de crise , temos que confiar, ter fé nunca desanimar, rezar, desistir Jamais