Religião

Protagonismo e exibicionismo

Só Jesus, sempre atento e vigilante ao que se passa à sua volta, volta a tomar a palavra. Vê que os convidados à mesa procuram o primeiro lugar, como sempre, o lugar dos que são honrados pelo mestre, aquele reservado aos que são notáveis, importantes. Diante dessa situação, Jesus dá um ensinamento que adverte contra o protagonismo e exibicionismo de quem busca os primeiros lugares. Se trata portanto, de ter uma atitude de modéstia, de não ter um superego que te cega e te faz acreditar que vale mais que os outros. “Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lucas 14,11). Sim, só quem é humilhado pode ser verdadeiramente humilde.

Simplicidade, discrição, desinteresse devem fazer parte do estilo de um homem, de um cristão, e só assim a festa pode ser vivida de forma autêntica e não como uma cena, uma oportunidade para querer se aparecer. Que cada um fique, pois, em seu lugar, avaliando-se segundo a graça e os dons recebidos do Senhor (cf. Rm 12, 3-6a), porque quem se superestima cairá do alto, de maneira desastrosa para si e para os outros. Cristo continua a ser o exemplo desta humildade, aquele que, vindo entre nós, assumiu o último lugar, verdadeiramente o último, que ninguém lhe poderá roubar!

Pobres, coxos, cegos, estrangeiros, necessitados (todas as categorias de pessoas que no tempo de Jesus eram excluídas do templo, consideradas indignas e afetadas pelo castigo de Deus) devem ter acesso à nossa mesa; se são excluídos, a nossa não é uma mesa segundo o Evangelho, que pede a partilha e gratuidade. Sim, o banquete eucarístico é preparado pelo Senhor, que chama a todas as pessoas, mesmo aqueles que se consideram indignos, porque não é o pecado que se opõe à salvação, mas o fator de alguém considerar-se “digno”, e levado pela sua justiça pessoal, acaba por desprezar e excluir os outros.

“Todo mundo quer ser amado. O apreço e o afeto por parte do próximo enchem o coração de complacência, de paz, de felicidade, de ânimo, de bem-estar. Quem é amado se sente encorajado, valorizado e respeitado. Mas nem todo mundo está disposto a amar, a amar de modo sacrificado, perseverante e generoso. O problema é que as pessoas começam a amar sempre menos porque não são amadas. Trata-se de um círculo vicioso que leva as pessoas a amar cada vez menos. E o problema é este: se o amor não decola na vida de uma pessoa, esta entrará cedo ou tarde, em um círculo vicioso marcado pelo individualismo, o isolamento e a tristeza. Para o cristão, contudo, o amor ao próximo não é optativo” (Amar e ensinar a amar, Francisco Javier Insa Gómez, p. 71, Ed. Cultor do Livro).

Outra Fonte: Cerco il tuo volto, Cortesia do blog de Enzo Bianchi.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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