Padre, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, escreve uma Carta a Putin
O Pe. Pedro Opeka é um desses pacificadores discretos e eficientes. Ele trabalha diariamente a serviço dos mais pobres e necessitados. Enquanto a guerra na Ucrânia continua, o sacerdote dirigiu uma contundente carta aberta ao “irmão Vladimir Putin”. Missionário lazarista em Madagascar, nascido na Argentina e de família eslovena, Pe. Pedro Opeka foi indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel da Paz.
Parte da carta do Padre Pedro a Vladimir Putin:
“Ao meu irmão Vladimir Putin,
Irmão Vladimir, acordamos neste 24 de fevereiro consternados ao ver que você declarou guerra e lançou um ataque contra o povo ucraniano, um povo soberano que respeita os direitos e as leis internacionais e que nunca teve a intenção de atacar a Rússia. Os cidadãos de muitos países sentiram grande amargura, tristeza e vergonha por seu ato insano.
Homens e mulheres livres, humanistas de nossa terra, levantem sua voz para condenar este ato bárbaro contra o povo ucraniano!
É hora de sair da lógica que divide o mundo em países poderosos e ricos contra países vulneráveis e pobres. Somos todos cidadãos da nossa terra, todos iguais, todos irmãos e irmãs e todos responsáveis pela construção de um futuro melhor para todas as crianças do mundo que um dia nos substituirão para perpetuar a vida na terra. Devemos parar de acreditar que existem seres humanos mais dignos do que outros.
Vivemos no século 21, e as armas que os humanos inventaram podem destruir a Terra. Como você, irmão Vladimir, pode brincar com fogo, equilibrando-se em um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento, gerando um caos total que pode acabar com toda a nossa civilização? Onde está a sabedoria dos heróis, poetas e escritores que defenderam os ideais de toda a humanidade contra a barbárie, a tirania e a ditadura?
Que nós, irmão Vladimir, sejamos mais humanos, mais respeitosos, mais honestos e mais verdadeiros, vivendo na verdade. Porque só a verdade nos tornará livres e fraternos. Como podemos aceitar hoje a dramática morte imposta aos soldados ucranianos ou russos? Todos esses soldados têm famílias, têm irmãos e irmãs que os lamentarão se morrerem. Penso nos soldados russos que não saberão por que morreram ou por que foram mortos.
Nunca é tarde demais para cair em si e se juntar a esses seres humanos que procuram viver em justiça, fraternidade e paz. A nossa diversidade é uma riqueza que torna a vida mais bela, no respeito, na partilha e na fraternidade.
Como posso convencê-lo, irmão Putin, a parar a guerra e parar o massacre de cidadãos inocentes?
Por favor, irmão Vladimir, pare a guerra, desista da ditadura, das mentiras, das falsas aparências e da duplicidade. Sejamos verdadeiros, justos, unidos e livres juntos! Que Deus Criador ilumine todos os governantes da terra para que vivam em fraternidade, igualdade e liberdade, que são os ideais da dignidade humana e dos direitos humanos.”
Padre Pedro
Fonte: Aleteia








