Religião

O invisível amor

Nós seres humanos em geral somos criaturas vaidosas por natureza. Gostamos de nos destacar, queremos o amor e a atenção do outro exclusivamente (ou pelo menos a maior parte dele) para nós, esta é uma das principais razões que movem nossas ações. Para alimentar esta vaidade, criamos verdadeiras fantasias, como a ideia de que o amor verdadeiro é feito de grandes demonstrações, presentes caros, declarações em público, textos enormes nas redes sociais. Como se o amor só fizesse sentido se ele for visto e reconhecido pelas outras pessoas. Só que o amor de verdade está em um patamar muito diferente deste.

Um verdadeiro amor é quase invisível, imperceptível, de tão leve e suave que é a sua presença. Ele se revela nos pequenos gestos de cada dia. Em uma gentileza, um olhar, um abraço, um beijo, uma palavra de conforto, um favor inesperado. Pode ser que alguém te ame profundamente, cuide de você constantemente e você nem tenha se dado conta. Criamos muitas expectativas e somos cegos para ver a realidade. O que pode ser mais libertador do que ser você mesmo? Sem precisar vestir máscaras ou criar papéis sociais para impressionar os outros? Poder ser autêntico, verdadeiro, sem medo de ser rejeitado por isso. Só que para isso você precisa primeiro se aceitar como é, na sua forma mais crua, com todos os seus defeitos e qualidades, com toda a sombra e luz que habita em você, com toda a sua humanidade. Então você será capaz de dar o primeiro passo na direção da verdadeira liberdade, a liberdade de ser apenas você mesmo, sem o peso de querer agradar o mundo. Esta aceitação te tornará tão pleno, tão feliz e realizado consigo mesmo que você passará a querer dividir isso com as outras pessoas.

Aqui chegamos à regra de ouro: “ama o próximo como a ti mesmo”. Só podemos doar aquilo que nós temos, se você quer doar amor precisa descobrir este amor primeiro dentro de você. Precisa deixar este amor transformar você. Quando for interiormente livre, quando aceitar suas próprias fragilidades, será capaz de aceitar a fragilidade do outro. Com tempo e maturidade vamos permitindo que a nossa presença no mundo seja cada vez mais leve e suave. Já não temos mais necessidade de impor o nosso ego ao outro, impor nossas ideias e nossa visão de modo. Podemos permitir que o outro seja o que ele é, para que possamos ser o que nós somos. Quando vivemos em função do que os outros gostariam que nós fôssemos, nossa vida se torna pesada, pois jamais seremos capazes de satisfazer as expectativas de ninguém.

Trabalhe para que você possa cuidar e ajudar os outros da maneira mais sutil possível, isso exercitará sua humildade e evitará que faça as coisas esperando reconhecimento ou recompensa. Quando se der conta, estará praticando o amor invisível, aquele que cuida e vela pelo outro sem que ele nem saiba que você está fazendo isso. É assim que Deus cuida de nós, é assim que você acenderá sua luz espiritual e obterá uma compreensão mais profunda sobre a vida e a existência, exercitando seu amor incondicional e se preparando para saltos evolutivos cada vez mais altos e inspiradores.

Denis Carvalho

É orador, Terapeuta Holístico, escritor e pós-graduando em Inteligências Múltiplas e Mindfulness. É entusiasta há mais de quinze anos do estudo de religiões e espiritualidade, do contato entre o humano e o divino e da busca por autoconhecimento.

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