O abraço do Pai Misericordioso

“Um homem tinha dois filhos”, é assim que essa história começa.
A diferença é que o mais novo sai de casa, transgride, erra, se perde, e ao chegar no fundo do poço, inicia uma subida que o traz de volta para casa. A verdade é que ele volta para casa porque perdeu tudo e está com fome, mas não sabe que em casa estará esperando por ele não o que imagina, ou seja, o castigo, mas um pai que que o espera de braços abertos e celebra para ele é a experiência imprevisível do perdão que será um choque para ele.
Mas depois há o outro filho, o mais velho, que nunca saiu de casa, nunca transgrediu uma única regra, sempre cumpriu seu dever, mas que, diante do retorno do irmão e da reação do pai que o recebe de volta com festa, manifestará toda a sua raiva expondo sua insatisfação reprimida por anos.
Há esperança para quem errou, mas também há esperança para quem tentou seguir as regras e fez tudo sempre tudo muito certinho, mas percebeu que isso não bastava para ser feliz.
O Filho Pródigo volta para casa não por que ama o seu pai, mas por que está buscando comodidade e bem estar. O pai, porém, demonstrará todo o seu amor, sua ternura e compaixão para com este filho, pois ele nunca deixou de esperar o retorno de seu filho mais novo. Ele corre ao seu encontro, vendo-o de longe, como se nunca tivesse parado de esquadrinhar o horizonte todos os dias, como se seu olhar tivesse permanecido na figura de seu filho enquanto se afastava no dia em que foi embora.
O caminho da reconciliação passa também por sinais concretos: o primeiro sinal é o vestido, através do qual o pai devolve a dignidade ao filho. O pai devolve o anel ao dedo do filho: é o anel que traz o selo, devolve-lhe os bens que desperdiçou.
É um sinal de aliança e confiança, porque a reconciliação não pode ser acompanhada de suspeita ou julgamento, como aqueles que dizem: “Perdoo, mas não esqueço!” Um relacionamento é reconstruído quando você está disposto a restaurar a confiança. O filho também volta a calçar as sandálias, porque só o escravo anda descalço, mas o filho deve voltar para aquela casa como uma pessoa livre: um relacionamento só é autêntico quando se sente livre para estar ali.
Mas o sinal mais importante é certamente o do bezerro sacrificado para comemorar: é o sinal que confirma o valor e a importância que se dá à vida do outro. Estou reconciliado com o outro quando posso celebrar sua vida!
Este caminho de reconciliação é feito pelo pai também em relação ao filho mais velho, a partir de sua situação, ele o alcança onde está. O filho mais velho está fora e é aí que o pai o encontra. O pai não banaliza a decepção do filho e não minimiza seu rancor, mas se coloca diante dele com sua fragilidade e convida a viver a experiência de comunhão: tudo o que é meu é seu . Convida-o a abrir os olhos para aquela comunhão que ele já não conseguia mais ver e nem viver.
• Já aconteceu com você também ocasião de se perder na minha vida?
• Existem caminhos de reconciliação que o Senhor te convida a construir?
Fonte: Pe. Luigi M. Epicoco; Pe. Willy Volonté e Pe. Gaetano Piccolo.








