Natal: Uma reviravolta de valores

Desde cedo nos acostumamos a levar em conta o quanto valemos, o quanto somos fortes, o quanto sabemos nos fazer respeitar. E ao mesmo tempo somos continuamente impulsionados a julgar as pessoas pelo poder que elas têm: invejamos e criticamos, observando quem chegou, quem se realizou, acreditando que quem sabe teríamos merecido mais do que os outros. O carreirismo, em todas as áreas, da empresa, e até mesmo no âmbito religioso, muitas vezes se apoia nesta dinâmica: a tentativa de mostrar a nós próprios que valemos mais do que os outros. Não é este o estilo da Sagrada Família de Nazaré. Nela contemplamos a humildade e a simplicidade.
Não nos surpreendamos então se vivemos em clima de guerra internacional. Como falar de paz se somos os primeiros a fazer a guerra? Somos sempre levados a avaliar o quanto valemos, medindo o valor e a força que temos! Sem contar aquela atitude obstinada com que desprezamos aqueles que nos parecem pequenos, impotentes, irrelevantes. Tem gente que só se relaciona com quem considera tão forte e poderoso quanto ele, sem se misturar com quem parece ser desprezível. A noite dos pastores e a noite da humanidade marginalizada, frágil, vulnerável e excluída, é inundada por esta luz que vem do alto. Deus se sensibiliza com o sofrimento da humanidade e por isso, em seu Filho Jesus Cristo, vem visitá-la e salvá-la.
Deus aproveita a ocasião de um Censo ordenado pelo Imperador César Augusto, para mostrar quem realmente conduz a história e aí acontece uma mudança de parâmetros. A questão é que nesta história dos grandes e poderosos nem sempre há lugar para Deus. Não havia lugar nem sequer nos albergues para acolher Jesus em Belém, e será Ele mesmo que depois também dirá: “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Jesus se doa a nós como Pão que alimenta. Afinal, a etimologia da palavra Belém é Casa do pão! Seu desejo para nós está todo aí: alimentar nossas vidas com seu amor.
Fonte: Portal: Cerco il Tuo Volto, Gaetano Piccolo SIM.








