Jesus Cristo não é um personagem mítico

No trecho do Evangelho deste final de semana, surge o interesse de Lucas em considerar a história de Jesus dentro da história de toda a humanidade. Jesus é assim apresentado como participante de uma história que diz respeito não apenas ao povo de Israel, mas a toda a humanidade. Lucas pretende oferecer uma mensagem de relacionamento e proximidade: a vida de Jesus relaciona-se com a de cada pessoa humana ao longo do tempo.
Lucas toma então o cuidado de indicar tempos e lugares de uma existência concreta: Jesus aparece na história no décimo quinto ano do império de Tibério, enquanto Pôncio Pilatos era governador da Judéia. Jesus nasceu, portanto, em uma história marcada pelo domínio do Império Romano, na Palestina, um território de conquista na orla do império. Jesus Cristo não é um personagem mítico, mas uma pessoa real, ele compartilha um contexto histórico. Lucas nomeia o governador romano Pilatos, e os vários reis: Herodes Antipas, seu meio-irmão Filipe e Lisânia. Em seguida, ele apresenta os dois cargos mais altos da autoridade religiosa judaica, a sumo sacerdote Anás e Caifás. Esses nomes voltarão na conclusão do evangelho de Lucas na condenação de Jesus. Lucas, portanto, mostra-se atento à história. Apresenta também a figura de João Batista com traços retirados do Segundo Isaías: «Uma voz clama:« Preparai no deserto o caminho para o Senhor … »(Is 40,3-4).
O Batista propõe um rito de imersão (batismo) nas águas do rio Jordão: um novo tempo está para começar e isso exige preparação e uma mudança que envolve a vida. A imersão é para o perdão. O apelo à conversão e o anúncio do perdão são as duas características principais da pregação de João Batista. É necessária uma orientação diferente das escolhas, da forma de pensar, da forma de ver o mundo e a história.
João Batista é um homem de escolhas radicais, um profeta que vê uma novidade em poder entrar na vida em relação a uma vinda iminente de Deus: confronta um sistema religioso que oprime e não leva à autenticidade. É um anúncio de preparação para acolher uma salvação que tem os traços de um dom de Deus proposto a todos: ‘Todo homem verá a salvação que vem de Deus’.








