Religião

Elias e Moisés: homens bíblicos que sofreram de depressão

Por Elias Rosa

Se, nas últimas semanas, você tem sentido tristeza profunda, tem tido perda de interesse em atividades que antes apreciava, tem observado mudanças em seu apetite, tem tido dificuldade de dormir, se sente cansado o tempo todo, sente-se culpado, tem dificuldades para raciocinar, se concentrar ou tomar decisões, tem tido pensamentos de morte ou suicídio, anda irritado, ansioso e angustiado; provavelmente, você está em um quadro de depressão.

A medicina aponta esses, entre outros sintomas, como os mais comuns em pessoas que têm sofrido com essa doença. Sem desconsiderar o importantíssimo papel da medicina no entendimento e tratamento da depressão, quero enfatizar, neste texto, uma visão bíblica sobre o tema.

Precisamos entender que a bíblia não é um livro sobre a história de super-heróis, semideuses ou dos infalíveis filhos de Deus. A bíblia conta a história de homens e mulheres reais, falíveis e cheios de limitações, que foram alcançados pela graça redentiva de Cristo. Não existem super-homens ou supermulheres. Desta forma, temos alguns exemplos de personagens bíblicos que sofreram com a depressão. Elias, Moisés, Davi e Jeremias são exemplos de grandes homens de Deus que foram atingidos por esse mal.

Moisés foi o homem, segundo a bíblia, mais manso da terra, mas se viu sucumbir diante da pressão de conduzir o seu povo em uma peregrinação cheia de dificuldades, provações e imprevistos pelo deserto. Somado a isso, ele tinha que lidar com um povo murmurador e ingrato que o pressionava todos os dias para que ele resolvesse os problemas cotidianos da peregrinação. Ele era o líder, o juiz, o profeta, o esposo, o estrategista, enfim, ele era mais do aguentava ser. (Nm. 11.11-15).

As pressões da vida contemporânea, as cobranças por resultados e alto desempenho que essa sociedade nos impõe, somado à uma rotina de tarefas desgastantes, estão colocando sobre nós uma carga que não estamos prontos a suportar e, assim como Moisés, o qual chegou a pedir para Deus tirar sua vida, estamos sucumbindo diante de tudo isso. Deus responde Moisés e ordena que ele escolha 70 homens dentre o povo para dividir as responsabilidades administrativas (Nm. 11.16-17). Isso nos ensina que não fomos preparados para carregar tanta carga e responsabilidades na vida cotidiana; precisamos aprender a priorizar as coisas mais importantes e nos desfazer das cargas extras que estamos carregando, afinal, não somos Deuses, somos humanos.

Elias foi um dos profetas que se mostrou mais ousado e corajoso diante do mundo de sua época, mas também viu seu estado emocional e físico ruir, ao ponto de pedir a morte (1 Re. 19.4), diante das frustrações e desilusões da sua vida e ministério. Foi quem profetizou, planejou, orou e se arriscou para que seu povo deixasse a idolatria e se voltasse para o único e verdadeiro Deus. Se propôs a enfrentar o sistema e desafiar a ordem estabelecida. Arriscou sua vida e se colocou na linha de frente para trazer seu povo de volta a Deus, mas, a despeito de todo seu esforço e dedicação, não alcançou o resultado que esperava. Acabe e Jesabel, os líderes da nação, não se voltaram para Deus e Elias, ainda, termina sua empreitada ameaçado de morte por Jesabel.

Geralmente, não nos preparamos para as frustrações. Ninguém entra em um projeto com o objetivo de fracassar, ninguém investe seu tempo, esforço, dinheiro e energia em um objetivo pensando que não vai dar certo, mas nem sempre conseguimos o que queremos e, às vezes, o que resta são só frustrações e prejuízos.

Grandes perdas e frustrações em nossas vidas podem nos levar à ruína emocional se não soubermos como lidar com elas. O processo de cura de Elias envolveu coisas simples, mas que fazem grande diferença em nossas vidas (1 Re. 19.15-19. Primeiro, ele dormiu e descansou. Segundo, ele se alimentou e fortaleceu seu corpo. Terceiro, ele recebeu de Deus uma ordem para retornar às atividades de profeta. Em resumo, houve uma renovação da mente, um fortalecimento do seu corpo físico e, por fim, um retorno ao seu propósito de vida. Encontrar ou reencontrar nosso propósito de vida é uma forma de realinhar o sentido de nossa existência e, assim, vivermos com mais alegria e satisfação.

Existem vários outros exemplos bíblicos além destes expostos aqui. Podemos aprender com cada um deles que existe cura, sim. Não existe dor que não possa ser sarada e não existe mal que não possa ser eliminado pelo poder de Deus. Que possamos aprender a confiar na graça de Deus e buscar sua presença para que Ele nos conduza ao caminho de restauração e cura.

Em Cristo.

Elias Rosa é formado em teologia pela EETAD (Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus) e curs Serviço Social na Unip (Universidade Paulista)

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