Deus olha o coração e não a aparência

A Liturgia deste final de semana nos coloca em estado de alerta e fala de purificação do coração. Corremos um risco muito grande em reduzir a nossa fé em uma fria observância de normas e ritos, sem que tenhamos uma profunda adesão a Deus com todo o nosso ser. Como já dizia o profeta Isaias: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”(cf. Is 29,13). A questão aqui não é tanto a higiene que é questionada por Jesus, mas a observância de um ritual exterior de purificação. O que se vê são atitudes exteriores desligados da interioridade, sem o exercício da caridade.
Purificar as mãos era um ritual do Povo Judeu, realizado ao chegar em casa das praças; mas para se participar do culto na Sinagoga se fazia necessário também a realização do ritual de purificação. Neste tempo de pandemia nós também fizemos muitas vezes o ritual de lavar as mãos e purificá-las com álcool em gel para livrar-nos do corona vírus. Vimos também, neste tempo, muitas pessoas realizarem obras de caridade com as mãos puras e coração generoso. Muitos deram de comer e de beber a quem teve fome e sede, socorreram os que não tinham agasalhos e levantaram os que estavam enfermos e caídos.
No Antigo Testamento, o Rei Davi já suplicava a Deus: “Criai em mim um coração que seja puro”(Sl 50,12). No relato das bem aventuranças, Jesus trata também sobre a interioridade da pessoa humana: “Felizes os puros de Coração, porque verão a Deus”(Mt 5,8). Deus olha o coração e não a aparência(cf 1Sam 16,7). O que nós realmente transmitimos com o testemunho da nossa fé? A fé verdadeira une coração, mente, lábios e atitudes. Será que a nossa fé não é uma expressão externa somente e que por isso acaba por ser também monótona, rígida e intransigente? O Evangelho é água fresca que cai em terra árida, justamente por isso somos chamados a viver uma fé dinâmica e alegre, fruto de um extraordinário encontro com Jesus Cristo, que transforma a vida em sua totalidade.
Fonte: Cerco il tuo Volto








