Religião

“As Bodas de Caná”

(João 2, 1-11)

No Episódio conhecido como “as bodas de Caná”, Jesus está presente com os discípulos e sua Mãe também está presente.

Nesta festa que talvez simbolize um pouco a história de uma vida toda, a alegria vai-se consumindo e enquanto todos os festejados se empenham em viver ao máximo aquela grande festa, o olhar de uma mãe, de Maria, percebe que falta o vinho, isto é, falta aquela motivação básica, aquela alegria, aquele estoque de razões pelas quais aquela festa esteja valendo a pena. Como muitas vezes acontece até em nossas vidas, a certa altura faltam os estoques de motivações e as grandes escolhas que fizemos se esvaziam.

Não será Jesus a perceber de imediato aquela necessidade, mas o Evangelho enfatiza que será o olhar dessa mulher, Maria, que irá constatar a dificuldade que ali se passava. E isso talvez já possa ser uma bela reflexão, ou seja, amar como Maria significa perceber as necessidades dos outros antes mesmo que se transformem em tragédia.

As talhas estavam lá para se fazer as abluções rituais, mas agora estão vazias: esse modo legalista de viver a religiosidade não dá frutos. Alguns Padres da tradição da Igreja, veem também nessas seis talhas uma referência a uma sétima talha: o lado aberto de Cristo crucificado de onde brotam sangue e água. Do lado de Cristo nasce a igreja, sua esposa, o Novo Israel, assim como do lado de Adão Deus tirou Eva.

A vida é feita de tempos diferentes, é feita de momentos de entusiasmo e momentos de fadiga, de momentos de partilha e momentos de incompreensão, mas é sempre um tempo em que o Senhor pode entrar na nossa história e preencher o nosso vazio. A hora de Caná é um prelúdio da hora do Mistério pascal de Cristo.

A coragem dos esposos

O famoso sociólogo Zygmunt Bauman escreveu que “casar hoje tornou-se como embarcar em uma balsa feita de papel de açúcar”. É, de fato, uma escolha muito corajosa, porque significa arriscar. Casar significa apostar sua vida na palavra de outro, outro que pode mudar, que pode trair, que pode morrer ou decidir partir. É uma renúncia à integridade do próprio espaço, deixando que outro continuamente se aproprie de suas razões.  Somente se tivermos em mente a natureza radical do dom que existe em um relacionamento conjugal, podemos entender por que Deus se apresenta constantemente na Bíblia como o esposo de Israel e o esposo da humanidade. A imagem do casamento é de fato a metáfora mais usada nas Escrituras para descrever a aliança entre Deus e seu povo. Deus também se arriscou demais, escolhendo um povo que nem sempre lhe foi fiel.

  • O que está faltando neste momento da sua vida?
  • Você está fazendo o que Jesus lhe pediu para fazer?

 

Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto: Padre Luigi Maria Epicoco e Gaetano Piccolo SIM.

 

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo