A Verdadeira Sabedoria
O jovem Salomão nos é apresentado como modelo de homem sábio, que pede como dom supremo de Deus o discernimento correto para poder governar bem o seu povo: “Concedei, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal” (1 Reis 3,9). Na Bíblia “coração” não indica apenas um órgão do corpo, mas, sim, o âmago da pessoa, a sede das suas intenções e seus juízos.
Quantos governantes poderiam se pautar também nessa sabedoria de Salomão: Ele, como rei de Israel, devia procurar estar sempre em sintonia com Deus, para orientar o povo à luz da Torah de forma que o povo andasse nos caminhos da justiça e da paz. Infelizmente hoje o Estado é Laico e os Governantes não podem envolver Deus em suas decisões. Jamais poderemos negar que a verdadeira qualidade da nossa existência e da vida social depende da reta consciência de cada um de modo a reconhecer o bem e colocá-lo em prática.
A sabedoria de Salomão é também qualificada aqui como a capacidade de compreender os próprios limites e, ao mesmo tempo, de sentir a necessidade de pedir a ajuda a Deus para que possa “distinguir o bem do mal” (v. 9). A sabedoria é a arte de orientar-se na vida, a arte de governar o leme do navio: “o sábio segurará firmemente o leme” (Pr 1,5 LXX). É a arte do timoneiro, a arte de quem governa, de quem educa, mas é sobretudo a arte de quem se governa. «O verdadeiro começo para crescer na virtude é conhecer-se a si mesmo. Aquele que se conhece é o único senhor de si mesmo e, sem ter um reino, é verdadeiramente um rei” (Ronsard).
A preciosidade de uma coisa ou de uma pessoa está relacionada com a alegria que aquela coisa ou pessoa desperta em nós. Por exemplo, para um Judeu a pérola mais preciosa é a Torah, porque neste Livro Sagrado lê-se as mais belas instruções para a vida: “Ouve, ó Israel! O Senhor, vosso Deus, é o único Senhor… Não matarás, não roubarás, …” (cf. Dt 6,4ss). Jesus também dirá aos Discípulos: “Eu vos disse isso, para que a vossa alegria seja plena”. Logo o Tesouro e a Pérola encontrada é o próprio Jesus e o mandamento novo do seu amor: “Amai-vos como eu vos amei”.
Em algum momento todos nós precisamos fazer escolhas, temos que decidir o que importa realmente em nossa vida, temos que escolher no que queremos apostar. E obviamente não podemos excluir definitivamente a dúvida: valeu mesmo a pena? Esse é o momento nada fácil para a decisão: permaneço na zona de conforto habitual e resignado ou arrisco tudo o que tenho e tudo o que sou?
Deus se deixa encontrar, mas Ele é exigente e exclusivo. Somente um coração verdadeiramente livre pode ser conquistado por Deus. As palavras de Jesus pedem-nos, portanto, que escolhamos de que lado queremos estar, por isso o discípulo só se torna tal quando aprende a discernir e só poderemos obter um coração sábio através da oração.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, Padre Jesús Manuel García, P. Gaetano Piccolo e Homiliário Ano A, Bento XVI(In Memoriam).






