Religião

A semente do bem e do mal

O que há de mais belo do que um campo de trigo? Mas “o joio também brotou”.  É como uma doença que chega quando menos se espera ou quando uma pessoa que com suas palavras fora de lugar é capaz de te roubar a paz. Temos aprendido que os problemas devem ser reconhecidos, enfrentados e superados: então por que o dono do campo não pretende arrancar o joio imediatamente?  A questão está bem aqui: o sentido que o Mestre celeste dá ao mal e às coisas, é bem diferente daquele que nós atribuímos a elas. Deus procede com base em sua previsão paciente. Entretanto, até mesmo o agricultor sabe que, quando você entra em um campo, corre o risco de causar danos a cada passo que você der em meio as plantas.


        Além disso, Deus não destrói o ímpio porque vê além, vê a possibilidade de mudança, adia a emissão do juízo de condenação para que o culpado se converta. Se esse tempo adicional concedido revela misericórdia e grande paciência e confiança divina no homem pecador, o que podemos dizer aos justos que sofrem por causa da injustiça dos ímpios? A bondade do Senhor está sempre em seu olhar; Ele vê o bem e o mal, também vê que são diferentes e incompatíveis, mas podem coexistir por um tempo. Para Deus, quem pratica o mal pode vir a mudar o seu comportamento olhando para o bom testemunho daqueles fazem o bem.

É claro que devemos protestar contra o mal, denunciá-lo e combatê-lo, mas se faz também necessário “vencer o mal com o bem”. O evangelho nos diz que o bem existe e o mal também: cabe a nós decidir o que olhar, o que priorizar. A vitória final do bem está assegurada e isso nos dá esperança porque, mesmo quando o mal parece prevalecer, sabemos que a menor semente do bem plantada não se perderá.  

Deus é paciente com todos e deixa aos pecadores tempo para amadurecer sua conversão. Portanto, não nos deve perturbar o escândalo de uma Igreja distante do ideal evangélico de pureza, de santidade e desapego. Sendo feita de homens imperfeitos e vivendo mergulhada no mundo, a Igreja corre continuamente o risco de se contaminar com o mal que está no mundo, tendo que tolerar a existência do joio e do trigo dentro dela até o momento do Juízo Final. Deus respeita as etapas de crescimento e de amadurecimento tanto da vida em comunidade, como da caminhada de cada pessoa. Não esqueçamos jamais que “A mansidão é a plenitude da força”( Papa João XXIII).

Fonte: Portal Cerco il tuo volto, Padre Antonino Sgrò e Missal Dominical.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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