Religião

A escuta obediente é o fundamento do amor

No nosso mundo hoje impressiona muitas vezes que quando se propõe normas e estatutos, parece que é sempre difícil obedecer pelo fato de ser algo imposto, como no caso da Pandemia, como foi difícil as pessoas se habituarem com o uso das máscaras, o álcool em gel, o Lockdown e as restrições. Somente quando nos demos conta de que a coisa era realmente séria, onde víamos muita gente entubada e outros morrendo, aí sim, começamos a obedecer as normas.

Moisés quando se dirige ao povo ele diz: “Escuta Israel! Observa todas as leis e mandamentos que eu vos prescrevo, para que possais ser felizes”. O que Deus nos propõe é em vista da nossa felicidade. A escuta obediente é o fundamento do amor. Na verdade, as palavras do Deuteronômio tomadas por Jesus até parecem traçar um movimento que da escuta  leva à , da fé ao conhecimento e do conhecimento ao amor : “Amarás o Senhor teu Deus… e o teu próximo como a ti mesmo” Sim, Deus é o objeto de amor do ser humano. É um amor que supera e reorienta todos os outros amores.

Mas na espiritualidade cristã também existe uma outra interpretação do amor a Deus: é aquela que lê no amor a Deus um amor obediente, no sentido de um amor que vem da escuta ( ob-audire), de um amor que responde “amém” à palavra do Senhor e ao amor do próprio Senhor que sempre se antecipa. É um amor não de desejo e nem de imposição, mas de adesão. Jesus também no diz algo a este respeito: «Se me amais, guardareis os meus mandamentos» (Jo 14,15); “Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14,23). 

Se é verdade, também, que todo o ser humano é criado por Deus à sua imagem e semelhança(cf. Gn 1, 26-27), e de fato, o é, não é possível dizer que amamos a Deus e, ao mesmo tempo, desprezamos a sua imagem na terra impressa em nossos semelhantes. E quem é o nosso próximo? O próximo é aquele de quem nos aproximamos e prestamos o nosso auxílio como afirmou Jesus na parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 36-37).

O mandamento que deve guiar a vida do cristão é o do amor por todos, até pelos inimigos ( cf. Mt 5, 44). Sim, o amor concreto e quotidiano pelos irmãos é o sinal pelo qual os discípulos de Jesus Cristo, ou seja, os cristãos, são reconhecidos, como o próprio Jesus indicou de uma vez por todas: «Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se o tiverem amor uns pelos outros ”(Jo 13,35).

Fonte: Cerco il tuo volto, Dom Willy Volontè e Enzo Bianchi.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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