Polícia Federal faz operação em Franca contra fraude financeira em mercados de capitais
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 1º de setembro, a Operação Romeu Sierra Índia que investiga uma organização criminosa que teria aplicado golpes em mais de 2 mil clientes em todo o Brasil. As ações da PF são realizadas em Dourados (MS), onde seria a sede da empresa, além de outras sete cidades, incluindo Franca. De acordo com informações da PF, cerca de 80 policiais federais cumprem hoje 02 mandados de prisão preventiva, 02 mandados de prisão temporária, 19 mandados de busca e apreensão nas cidades oito cidades. Inicialmente a Polícia Federal não informou quais ações acontecem em Franca.
A Operação também realizou o sequestro e bloqueio de mais de R$ 40 milhões em bens móveis, imóveis e valores depositados em contas bancárias da organização criminosa. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal da Cidade de Campo Grande (MS), especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro. As investigações que culminaram na Operação Romeu Sierra Índia começaram no ano passado após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) denunciar à Polícia Federal o funcionamento de uma empresa em Dourados sem a autorização do órgão regulador. A empresa se dedicava à captação de recursos de terceiros, para fins de investimentos no mercado de capitais.
Ao longo das investigações, a PF identificou que a quadrilha era dividida em blocos que era separado entre os sócios da empresa e os responsáveis pela na aplicação dos valores captados no mercado de capitais. O enriquecimento acontecia através do dinheiro que era investido pelos clientes.
Em outro bloco ficavam os corretores que eram os responsáveis pela captação dos recursos. Existia ainda os integrantes que eram responsáveis pelas ações de logística. A empresa, a fim de enganar os clientes, mantinha uma estrutura organizada que contava com página na internet, programas de gerenciamento de investimentos e um sofisticado manual do investidor. As faixas de investimento eram variáveis entre R$ 1 mil e R$ 50 mil, com 50% dos ganhos eram do cliente e os outros 50% da empresa; investimentos acima de R$ 50 mil, 70% dos ganhos eram do cliente e o restante da empresa. Há casos em que investidores aplicaram na empresa mais de R$ 200 mil.
As investigações também mostraram que em dois anos circularam pelas contas bancárias da empresa que é investigada mais de R$ 60 milhões. Parte desse valor, segundo os próprios investigados, foi remetida para Londres, no Reino Unido, após decisão da CVM de barrar as atividades da empresa. Pelo descumprimento reiterado da stop order da CVM os sócios formais da empresa foram multados em R$ 600 mil.
Em nota, a PF informou que “no auge do funcionamento a empresa chegou a contar com mais de 2.000 clientes em todo o país”. Além da operação da Polícia Federal, a empresa também é alvo de dezenas de ações cíveis em todo o estado de Mato Grosso do Sul, nas quais os investidores lesados cobram na Justiça a devolução dos valores aplicados e indenizações por danos morais e materiais.








