Peça “Lockdown Sartre” chega em Franca no fim de março
O teatro Judas Iscariotes recebe no próximo dia 31 de março e no dia 1 de abril, ás 20 horas a peça “Lockdown Sartre”, com entrada gratuita e obra será apresentada por artistas francanos.
A peça Lockdown Sartre é uma livre adaptação da peça “Entre Quatro Paredes”, de Jean-Paul Sartre. Com direção de Mauro Júnior e os atores Roberto Sabino, Eneida Nalini e Edna Daniela de Paula. O projeto é realizado com recursos financeiros do edital Bolsa Cultura, edição 2021, da FEAC – Fundação Esporte, Arte e Cultura e da Prefeitura Municipal de Franca.
O projeto foi pensado para oferecer ao público francano 2 apresentações presenciais e 4 em formato audiovisual. Além de 2 ações formativas a partir da experiência da montagem pelos atores e diretor. Todas as ações serão gratuitas. Para as 2 apresentações presenciais, é sugerido ao público a doação de 1 kg de alimento não perecível, que será repassado à instituição francana “Lar de Ofélia”.
2020: uma pandemia em escala global nos obriga ao isolamento social. 2022: dois anos depois e ainda experimentamos a sensação do longo confinamento, sentimos seus efeitos em nossas vidas, nas nossas relações. O que motiva a montagem é a reflexão sobre o isolamento imposto pela pandemia da Covid-19. Na peça de Sartre, três personagens são isoladas numa sala sem janelas e a única porta está sempre trancada. Eles não têm contato algum com o exterior. Isso se transforma num inferno metafórico para os três.
“Esse foi o disparador para mergulharmos na peça de Sartre, trazendo um paralelo sobre a convivência, muitas vezes forçada, que vivemos durante o recente lockdown. Desse lockdown imposto pelo vírus, surgem conflitos de convivência. Um alto índice de divórcios foi registrado durante a pandemia”, explica.
Segundo o diretor do espetáculo, Mauro Júnior, “a peça filosófica de Sartre nos parece muito adequada para ser montada neste momento, gerando reflexões pertinentes sobre convivência durante o confinamento que o vírus da Covid-19 nos impôs”.
Explicação sobre a peça:
A peça de Sartre nos remete de forma sutil para o universo existencialista pelo seu poder expressivo e metafórico. Em nossa leitura, mantemos as três personagens principais: José Garcia, Inês e Estela, focando na teia de relações obsessivas entre eles. A encenação busca potencializar o encarceramento das personagens num espaço-cenário onde não há janelas nem espelhos e a porta está sempre trancada, impedindo o contato com o exterior. Sem coxias ou rotunda, a escolha de desnudar a caixa preta nos possibilita pensar o uso da amplidão do palco, usando sua totalidade para jogar ali as três personagens, desfrutando de amplo espaço, mas ainda sim prisioneiras, sem saída. A presença dos outros se torna dolorosa, não há como escapar. Apenas as suas sombras lhe fazem companhia. É o espaço-inferno sugerido na peça de Sartre, mas não o inferno cristão, mas um inferno estilizado, metafórico. A intenção é que a atmosfera de clausura e calor insuportáveis, materializados pela encenação e pelos atores, aliada ao texto filosófico e existencial de Sartre, suscite reflexões no público sobre como estão conduzindo as suas vidas, sobre suas escolhas.









