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A construção de uma consciência negra

Por Josiane Barbosa Oliveira, psicóloga.

A todo dia 20 de novembro nossa comunidade negra é convidada a pensar sobre a necessidade de um dia como esse.
Acredito que, enquanto essa discussão acontecer é ainda mais necessário falar de um tema tão espinhoso e amplo.
A consciência racial advêm da percepção de todas as limitações, impedimentos, desafios e racismos que cercam a pessoa negra no Brasil.
Alcançar uma consciência negra é um trabalho árduo de conhecimento, resgate cultural, atuação social, internalização de uma identidade atacada e mal interpretada durante séculos.

Registro algumas fases no exercício de Consciência Racial:

a) Reconhecimento do Racismo
O “mito da Democracia Racial” ainda é disseminado em nosso território. Permanece no imaginário popular como um limite para a reflexão e como um disfarce ao reconhecimento. Frequentemente atos de discriminação e preconceito são minimizados como se fossem exceção ou muito “pontuais”.

b) Percepção das diversas Raízes do Racismo
Incrementar o estudo dos fatores que compõem a diáspora Africana. Entender o que significa todo período de população negra no Brasil, com todas as implicações de povo, língua, espiritualidade, costumes, práticas de controle e tortura.

c) Localização de posições perante o Racismo.
Após o Reconhecimento do Racismo e diante dos novos conhecimentos sobre a história dos afro-brasileiros alguns pontos emergem como postos de localização em termos de negritude ou branquitude.

d) Criação e estabelecimento de práticas antirracistas.
As práticas antirracistas serão o passo necessário e posterior nos âmbitos individual, familiar institucional (familiar, escola, ambiente de trabalho, políticas públicas).

Entre as ações individuais ressalto a atenção à identidade, o incentivo à apropriação da história, o uso adequado da linguagem em respeito à dor e do desenvolvimento do outro. Entre as ações familiares, a atenção a educação de jovens e adolescentes, entre as ações na Escola as adequações pedagógicas necessárias à inclusão de pessoas, que sofreram prejuízos durante décadas/séculos. As discussões sobre ações no ambiente de trabalho e nas políticas públicas são extensas e valeriam por si só uma conversa pormenorizada.
Temos muito a realizar. A luta continua a cada sorriso de criança que conquista novos saberes, a luta continua a cada jovem negro que é incluído em listas de morte precoce.
Somente a Consciência Negra pode transformar esse quadro.

Josiane Barbosa Oliveira é psicóloga e líder do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil de Franca

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