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Tristezas ao vento

E dizem por aí, que quando alguma lembrança machuca muito, um acontecimento que não dá pra esquecer, a falta de alguém, um sentimento que faz doer, é preciso tirar isso de dentro de si, porque essas dores ocupam muito espaço, e comprimem o coração. Como tirar? Conforme a lenda, escrevendo… Isso mesmo! Colocando no papel tudo o que está aí, preso dentro de você.

Bem, isso nunca foi novidade pra mim, minhas tristezas ocupam muitos cadernos por aqui. A novidade foi que as letras também não podem permanecer por aí, escritas ocupando outros espaços, elas precisam seguir, voar, sumir e então vem a segunda parte da história, acrescentando que essa tristeza, escrita num papel, deve ser queimada, consumida pelo fogo, de preferência ao vento, para que ele leve um pouco de tudo o que estava ali… nas cinzas, na fumaça…

Pra quem tá por aí com o coração quase perdido em meio às angústias, é hora de fazer uma fogueira… abrir espaço para as alegrias, amenizar os sofrimentos. Para outros, com aquela dorzinha de sempre, insistente, que não quer abrir mão do seu lugar, uma folha qualquer serve, transfira para ela, saia por aí, encontre um bom lugar, uma janela alta, o telhado, em meio às árvores, numa rua qualquer. Acenda o fogo, queime, mande pelos ares cada lágrima derramada, cada suspiro de dor, e quando a chama se apagar, acenda a do seu coração, faça sua alma brilhar, iluminar seus olhos, seus sorrisos. Não custa tentar.

Eu agora, peguei aquela minha história, aquela que tá doendo faz um tempo, a que vem acompanhada por uma bela trilha sonora e também repleta de impossibilidades. Não precisei escrever, ela já ocupava muitas folhas por aqui, as quais tantas vezes eu reli, buscando no papel um pouco do carinho que eu tanto desejava. Estão aqui, sobre a cama, me esperando. Daqui a alguns segundos, se você olhar da sua janela, vai notar a fumaça cinzenta, vai ouvir meu suspiro profundo. Meus olhos vão arder da fumaça, da dor e de toda a tristeza que eu guardei aqui dentro do meu coração, mas quando a fumaça e a dor se dissiparem, a luz brilhará outra vez, ainda mais forte e intensa.

Vamos incendiar as tristezas! E que o vento que as levar pra longe, traga dias mais leves, e espaços prontos para serem preenchidos com muito amor!!! Estamos muito precisando disso!

Jaqueline Vieira

É francana, tem 42 anos e é formada em Letras, Pedagogia, especialista em Linguística e Gestão Pública. Educadora entusiasta, escorpiana intensa, apaixonada por vinhos, gastronomia e pela arte, amante das palavras escritas, suas eternas e fieis companheiras desde a infância. Instagram: @jaquevieirad

3 Comentários

  1. Lindo texto! Exatamente a rotina que não cessa, até casarmos da dor… e querer voar…

    Que sejamos Luz, Amor e Paz… hoje eu escolho ser Luz e voar por onde a vida me levar..

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