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Vanessa Maranha

Arte Quântico

Desde 2016, sobre o concreto bruto e cinza da cidade, uma intervenção, um pingo de cor pixelada em formas as mais surpreendentes. Como que germinada anonimamente, da noite para o dia, aos modos do grafiteiro britânico Banksy. Do nada, o recado, a mensagem. Singeleza e potência semiótica ao mesmo tempo.  Darth Vader, Super Mario, um coração, o Chaplin, uma flor. Aislan Adrian, de 34 anos, francano, é o artista por trás do conceito Arte Quântico, hoje marca por ele criada e que licencia vários produtos – tênis, camiseta, máscara, boné, caneca, meias. Segundo Adrian, não são propriamente mosaicos o que apresenta, mas arte em azulejos, mais especificamente, arte pixel (do inglês pixel art).

Pixel Art

Esta é uma forma de arte digital cujas imagens são criadas ou editadas a partir da estética dos pixels. Elementos gráficos provenientes de sistemas computacionais antigos, como consoles de vídeo games e telas de telefones celulares são os precursores dos pixelados. Aislan Adrian conta que Invader, um artista urbano francês é uma das referências nesse estilo hoje, conhecido por suas representações em cerâmica modelada na arte pixelizada dos videogames de 8 bits dos anos 1970-1980; com gosto especial pela recriação dos alienígenas titulares do jogo de arcade Space Invaders de 1978.

No Louvre

O Arte Quântico atravessou as fronteiras e teve seu trabalho premiado pela Artcom, uma exposição anual que reúne galerias de todo o mundo no Carroussel du Louvre, em Paris.  “Aos olhos dos outros, meu maior prêmio foi essa exposição no Louvre, onde recebi uma medalha de quadro mais criativo. Mas, aos meus olhos, foi quando uma criança chamada Arthur, que tem deficiência visual, tocou em um azulejo e disse que era meu trabalho. Esse é o maior prêmio que já recebi”, diz Adrian, que já palestrou no SENAI, SENAC, SESI, Pestalozzi, Fundação Casa e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e já chegou a oferecer oficinas para 500 pessoas simultaneamente.

Cinza

Mas como nem tudo são flores nesse percurso e o novo e diferente normalmente assustam, houve um momento em que o Poder Público se contrapôs às intervenções artísticas urbanas, o que já foi resolvido, segundo Adrian. “Outro problema que tenho é com alguns artistas que arrancam o meu trabalho. Mas, sinceramente, nem ligo. O que eu faço é além de paredes, é uma filosofia de vida e isso eles não conseguem tirar, então quanto mais tentam, mais sei que sou grande”, comenta, definindo seu propósito como “auto estima e pertencimento”.

Quanta

E se fazer arte é buscar/construir sentido para o mundo e para as coisas, Aislan Adrian se respalda nos conceitos do budismo e da Física Quântica, talvez mesmo na ideia das escalas atômicas e moleculares – o todo feito de pequenas partes. “É que perante a física quântica tudo está interligado e tudo tem um por quê. Eu pratico a filosofia do budismo Nitiren Daishonin e acredito que mesmo você sendo de um jeito, você pode dar o caminho que quiser pra sua vida. Daí usei isso a meu favor. O quadrado sempre será um quadrado. Mas, se eu me dedicar e usar a criatividade, ele terá a forma que eu quiser, mesmo ele permanecendo quadrado”, explica ele.

Meta

Empreendedor, a ideia, agora, é montar uma empresa que ofereça serviços de arte em pixel nas casas, como art deco.  “Pretendo abrir essa empresa também nos EUA, vamos ver como será. Eu acredito no que faço e sei o quão grande é e maior será!”.  Quem não conhece o Arte Quântico, veja os perfis no Instagram, respectivamente o  artístico e o de marcas licenciadas: @artequantico e @usequantico.

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

3 Comentários

  1. Há tempos vejo a arte do Adrian e admiro seu trabalho, sem saber quem era o artista.
    Que bom poder conhece-lo e cumprimentá-lo !
    Parabéns Vanessa por valorizar e incentivar os artistas francanos.

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