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Terapeutas em terapia

É um postulado ético a ideia de que psicólogos e psiquiatras que atuam na área clínica precisam estar em terapia/análise ou terem percorrido um caminho analítico significativo.
Todas as linhas da Psicologia Clínica trazem, aliás, essa recomendação e advertência sobre terapeutas em terapia, como linha de base para uma conduta profissional mais salutar e efetiva.

Auto cuidado

O objetivo de colocar-se sob os cuidados de outrem é sair do auto referenciamento para que esteja apto a cuidar dos outros sem embaralhar as suas próprias questões emocionais/afetivas às daqueles que o procure. É preciso ter em mente que alguém muito narcisicamente voltado a si mesmo e ao exercício de seu poder, não consegue oferecer escuta terapêutica a alguém.

Escrutínio

A análise do analista é estar sob escrutínio e questionamento, de modo a não se elevar em oni e/ou prepotência diante do cliente/paciente, porque, especificamente nesse caso, não se pode oferecer com legitimidade um caminho que não se percorreu. Para analisar, o analista precisa conhecer em si o lugar de analisando. Também é essencial saber exercitar a alteridade, uma vez que o trabalho terapêutico trata, sobretudo, de humanização. Ao profissional da clínica psicológica cabe estar atento à capacidade e qualidade de escuta que oferece a quem lhe procure e é na terapia/análise pessoal e também na supervisão profissional que isso se dará.

Objetivo

Um objetivo fundamental da análise do analista é promover nele a capacidade de auto-análise, da qual possa dispor a serviço de sua tarefa clínica e de sua auto reflexão.
Freud escreveu, em 1937, o artigo ‘Análise Terminável e Interminável’, no qual indaga sobre quando seria e se haveria o fim da análise.
A psicanalista Yeda Acide Saigh comenta, sobre o tema: (…)”podemos ver a análise como um aprendizado, que consiste na introjeção, pelo analisando, da função analítica; ou como uma tentativa de o paciente conviver com uma dependência de seus aspectos infantis em relação ao objeto provedor (analista). (…) Se a dependência puder ser controlada, se o analisando aceitar conviver com suas carências, suas dependências, se tiver algum objeto com o qual possa lidar, não-idealizado, mas que o ajude a dar conta da situação de dependência, ele não regredirá tanto. Em um certo momento, espera-se que possa superar tal situação e continuar a caminhada sozinho.
Trata-se de avaliar como o analisando se relaciona com a sua vida mental – e isso é limitado –, pois não se espera que o analisando saia “curado”, que saia sem “atuar”. Não é esta a ideia. [não se fala em ‘cura’ na Psicanálise] O objetivo da análise é ajudar o analisando a ganhar uma maior familiaridade com o seu mundo interno, com o seu universo psíquico. Nesse sentido, a análise é interminável, não há interrupção. O que termina é a relação analista-analisando, a situação de análise. “

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

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