Religião

“Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10,41)

Lucas 10,38-42 narra uma das visitas de Jesus à família de Betânia. Estão presentes na cena Marta e Maria. A passagem bíblica destaca a importância do equilíbrio e harmonia entre ação e oração, atividades e contemplação, ruídos e escuta atenta. O serviço é fundamental, pois uma fé sem obras, é morta (cf. Tg 2,17), mas quando colocado no centro, torna-se um peso e nos deixa inquietos (cf. Lc 10,41). Jesus convidou Marta à conversão, curou as suas feridas de exagerada necessidade de reconhecimento. Ao colocar-se numa atitude de escuta generosa, para ouvir o Senhor, Maria foi elogiada, pois escolheu a melhor parte, segundo o Mestre (cf. Lc 10,42).

A vida de Jesus foi de intenso apostolado, mas também de oração constante. O fim último de sua oração era fazer a vontade do Pai e cumprir a sua obra (cf. Jo 4,34). Se ele considerou o estar a sós com Deus uma necessidade em sua missão, muito mais nós, pobres criaturas, carentes da graça e da força do Espírito, devemos buscar a comunhão com o Senhor. É na intimidade do silêncio, da escuta e da oração que aprendemos e nos abastecemos para a missão.

Silêncio, atenção, escuta e oração são necessidades humanas. Nem sempre é fácil esse exercício nas circunstâncias atuais. As dificuldades aparecem para quem se propõe a rezar e não podem impedir a prática da oração. Nunca devemos abandonar a oração por causa de nossas dificuldades, aridez e pecados, pois deixá-la é perder o caminho.

O Espírito intercede por nós na vida de oração, ela é mais obra de Deus do que esforço humano. Mas é preciso fazer um itinerário que exige a fé, a confiança, a liberdade e a humildade, a perseverança e a disciplina, o amor a Deus e aos irmãos, o perdão, o silêncio e a escuta, o tempo, a postura do corpo e um lugar apropriado.

A oração cristã não se entende sem Jesus Cristo. É preciso sentar-se aos seus pés e escutar a sua palavra. Nela não se busca gostos e consolações. Importa apenas e somente ajudar Cristo a carregar a cruz.
“Procuro completar na minha carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja” (Cl 1,24).
Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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