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Desistência é derrota?

A desistência da prova na Olimpíada, pela ginasta americana Simone Biles causou espanto no mundo centrado na vitória e trouxe à baila a questão: até que ponto a desistência pode ser considerada uma derrota?

Twisties

Atleta de de alta performance num esporte de altíssima precisão e sob intensa pressão, em que milésimos de segundos são decisivos, Biles percebeu em suas apresentações os “twisties”, um fenômeno de ausência temporária em que a neurologia não responde – de repente, o ginasta não consegue realizar um movimento que já havia repetido antes.

Desconexão

Como num curto-circuito, o corpo para de responder e o cérebro fica ‘desbussolado’ a ponto de o atleta perder o equilíbrio e cair. ‘Twisties’ são, portanto, uma perda momentânea da noção espacial, ocasionada por uma desconexão entre estímulos mentais e corporais e que têm relação direta com níveis altos de ansiedade afetando atenção, concentração, processamento de informação, reflexo, noção espaço-temporal e, portanto, relação com a saúde mental como um todo.

Quando desistência é resistência

O imperativo da vitória a todo custo num funcionamento além-do-humano, sem reconhecimento dos próprios limites, pode levar a tais extremos que se configuram quase que em colapsos.

Dimensionando

No caso de Simone Biles, a desistência evidenciou propriocepção e medida de auto-preservação. Pode ser um belo mote para reflexão sobre o dimensionamento do custo da vitória e o ganho na desistência. Inversões lógicas que precisam ser analisadas a fundo caso a caso.

Não somos robôs

Em alguns casos, é fundamental reduzir o volume das vozes internas autocríticas e auto condenatórias, muito próprias da sociedade de desempenho e da performance. Ser mais amoroso e mais compassivo consigo mesmo é o primeiro passo no reconhecimento e respeito aos limites humanos. Ninguém é máquina.

Vanessa Maranha

É Psicóloga, Jornalista, Escritora Premiada, colunista da FF.

Um Comentário

  1. É nesse tempo da robótica em que mais funções humanas são executados por robôs, mas certamente, o humano não é bom querer imitar o robô, e também o robô jamais será o humano. Para isso, nós humanos devemos respeitar os nossos limites e também os limites serem aplicados aos robôs. Essencial mente corpo espírito alma além das justificativas técnicas e psicológicas está no humano, a emoção, que significa o exterior em movimento. Portanto nos conscientizarmos de que como humanos devemos respeitar nossos limites. Abraços cordiais !!!

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