Circo Vivo realiza últimas apresentações

O circo encanta e emociona pessoas de todas as idades mundo afora. E, para manter viva essa manifestação artística, a francana Dani Barros — artista, modelo, drag king, pesquisadora, professora e produtora — convocou artistas locais e paulistanos para o espetáculo “Circo Vivo”, que estreou em Franca (SP) no primeiro fim de semana de abril, nos dias 5 e 6, no Espaço Nulo, com entrada gratuita e classificação livre.
O projeto leva a magia circense para fora da lona, com um show de variedades que reúne trapézio, argolas aéreas, duo acrobático, malabarismo, perna de pau, palhaços — tudo com muito humor, teatro, dança e diversidade.
Ao longo de abril, o “Circo Vivo” segue circulando por diferentes locais da cidade, com apresentações, oficinas de palhaçaria e drag king, além de uma mesa de debates sobre diversidade sexual e de gênero e o circo como expressão artística LGBTQIA+, tudo gratuito para a população.
Hoje, quinta-feira (10/04), acontece a penúltima apresentação, às 18h na Unesp (Várzea), com entrada gratuita. A última será no dia 24 de abril, às 20h, durante a Semana Senac de Leitura.
Segundo Dani Barros, idealizadora do projeto que também interpreta o drag Allan King, “o circo é a arte mais longeva que existe, atravessou os tempos e se reinventou. ‘Circo Vivo’ celebra essa resiliência, essa capacidade de transformar e resistir, promovendo encontros e provocando reflexões, sempre com muita leveza e diversão.”
No palco, cada personagem traz um talento único: mímicos, trapezistas, palhaços e mestres de cerimônia interagem com o público, transformando cada apresentação em uma experiência inesquecível. “É um espetáculo despretensioso e nonsense, com personagens caricatos que se cruzam em cenas cheias de humor e acrobacias”, comenta Elena Cerântola, artista do Circo VOX de São Paulo, ao lado de Gallo Cerello.
Mais que entretenimento, “Circo Vivo” visa colaborar com o cenário cultural da cidade, fortalecer o intercâmbio artístico e levantar, de forma leve, temas importantes sobre identidade, expressão de gênero e diversidade.
O projeto “Circo Vivo” foi contemplado com recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), por meio do Ministério da Cultura, do Governo Federal e da Prefeitura Municipal de Franca.
Confira abaixo a programação atualizada:
Espetáculo ‘Circo Vivo’
HOJE (quarta, 10/04), às 18h
Local: Unesp – Várzea – Av. Eufrásia Monteiro Petráglia, 900
Entrada gratuita: clique aqui para reservar
Duração: 1h | Indicação: Livre
PRÓXIMA E ÚLTIMA APRESENTAÇÃO:
Quinta (24/04), às 20h
Local: Auditório do Senac (durante a Semana Senac de Leitura)
Entrada gratuita, com inscrição prévia
Endereço: R. Alfredo Lopes Pinto, 1345 – Vila Teixeira – Franca/SP
Se quiser, posso atualizar também a parte das oficinas e da mesa de debates! Deseja?
Oficinas
Drag King
Com Dani Barros – que interpreta Allan King
Data: sábado (26/04), das 14h30 às 18h
Local: Espaço Nulo – Rua Maria Cândida de Vilhena, 530 – Jardim Dr. Antonio Petraglia – Franca/SP
Inscrição gratuita: https://www.espaconulo.com/
Vagas limitadas: apenas 08 participantes
Público: acima de 14 anos, que estão em busca de aprimoramento artístico e material para sua busca profissional, pessoal e/ou de expressão de gênero.
Mesa de Debates
Temas: “Diversidade sexual e de gênero: avançamos ou retrocedemos?” e “O circo como expressão artística LGBTQIA+”
Com Dani Barros e Tici Jardim Pimenta
Data: Segunda-feira (14/04), às 19h
Local: Unesp – Anfiteatro da Biblioteca – Av. Eufrásia Monteiro Petráglia, 900 – Prolongamento Jardim Dr. Antonio Petraglia – Franca/SP
Duração: 02 horas
Inscrição gratuita: https://www.even3.com.br/circovivo/
Público: pessoas acima de 14 anos, curiosas em busca de informação sobre o assunto por motivos pessoais ou com o objetivo de agregar informações à profissão que exercem.
Emissão de certificado
Ping pong com a idealizadora do projeto Circo Vivo Dani Barros
Quem é Dani Barros?
Dani Barros: Artista, modelo, drag king, pesquisadora e professora de circo, Dani Barros é também produtora, jurada e parecerista cultural. Bacharel em Educação Física e Ciências Contábeis, pós-graduanda lato sensu em Ginástica Artística de Alto Rendimento. Também possui formação em Circo pelo Circocan e pela Aerial Edge (Glasgow/Escócia), além de ter aprendido com renomados professores, nacionais e internacionais em diversos países, como França, Inglaterra, Argentina, entre outros. Com mais de 20 anos de experiência, Dani já atuou em centenas de projetos culturais, cursos e oficinas por todo o Brasil. Sua contribuição tem sido significativa para o desenvolvimento das artes circenses e para o fortalecimento da cultura LGBTQIA+. Fundou e liderou o coletivo ISO – Tecido Acrobático em 2013 impulsionando a criação de novos negócios em circo e tecido e, desde 2018, dirige o Circo Soul, em Franca, uma companhia híbrida fundada em 2006 que une formação artística, capacitação e performances circenses, levando o conhecimento e o encantamento do circo a escolas, instituições e eventos pelo Brasil e mundo. Coordenadora geral e co-criadora do Festival Brilhe Circo Drag e fundadora da Dallam Produções.


Como surgiu o projeto “Circo Vivo”?
Dani Barros: O projeto “Circo Vivo” surgiu da união e da vontade de mostrar que a arte circense está viva e que o circo se mantém vivo na cidade de Franca.
Desde que me encontrei através da arte circense, tenho como missão não deixar que as próximas gerações fiquem sem acesso ao encantamento e transformação que esta arte proporciona, porque há 15 anos eu tive acesso, mesmo tarde e restrito, e ainda é muito difícil atualmente, a gente tem dificuldade em manter um espaço ativo de aulas regulares e de produção circense na cidade.
“Circo Vivo” é uma semente, porque a gente segue fazendo, dentro do possível, dentro das possibilidades das políticas públicas, e também um sonho, de poder iniciar e realizar ações que fortaleçam a classe artística local e a união entre os agentes culturais, os técnicos e os artistas, proporcionando para a comunidade o acesso à arte, cultura e lazer de forma gratuita e a oportunidade de conhecer e preencher os espaços da cidade que são pouco conhecidos.
Muitas pessoas que foram assistir, por exemplo, não conheciam o Espaço Nulo. Entendo que essa ação é também uma forma de fomentar e ajudar a levar público para esses espaços independentes.
Como foi o processo de criação e montagem do espetáculo “Circo Vivo”?
Dani Barros: Esse processo se deu de forma muito rápida, através do intercâmbio com o Circo Vox, de São Paulo, e entre os artistas locais. A equipe queria, em comum, não fazer somente um show de variedades, no qual entra um número e sai… nossa ideia foi então criar ligações entre os números, que fossem lúdicas para proporcionar a sensação de um espetáculo circense, possibilitando também a conexão entre os próprios artistas participantes através do processo de criação e ensaios.
Quais foram os principais desafios e aprendizados ao unir circo, diversidade e linguagem drag em cena?
Dani Barros: Um dos desafios é que, muitas vezes, o drag tem uma demanda estereotipada do exagero, do deboche ou até mesmo de uma certa exuberância que não, necessariamente, se encaixa com determinados personagens dentro da ideia do “Circo Vivo”, pois a arte do mímico ou mesmo do homem forte do circo foram inspirações para a atuação do personagem no espetáculo. Acredito que essa construção vem de um campo novo que mistura a arte drag com a circense, então é natural que ela flua um pouco mais para o circo em determinado momento e depois um pouco mais para a arte drag, até que vira uma coisa só.
De que forma você percebeu o impacto do “Circo Vivo” no público, especialmente em relação à inclusão e representatividade LGBTQIA+?
Dani Barros: Tenho ficado muito feliz com a presença de pessoas da comunidade LGBTQIA+ nos espetáculos, e isso é muito importante. Espero que a comunidade continue a prestigiar e compartilhar desses momentos com a gente. No final do mês vamos realizar a oficina gratuita Drag King para artistas, jovens e mulheres e espero que seja um momento muito especial, que a gente possa fortalecer e realizar essas trocas cada vez mais, poder se empoderar e se inspirar através de nós mesmos.
Como foi trabalhar com artistas francanos e paulistanos juntos? Houve alguma troca de experiências que marcou a equipe?
Dani Barros: Eu acredito muito na potência desse encontro. A troca de experiência entre os artistas foi complementar e cada um de nós teve um aprendizado importante dentro da sua habilidade ou por meio da sua busca artística. Com certeza, a gente marca esse encontro reforçando a ideia de que a arte está viva, o Circo está vivo e nós vamos continuar fazendo tudo o que for possível para que essa arte resista, exista e possa florescer cada vez mais em Franca.

Você acham que o circo tem um papel importante na discussão de temas sociais e culturais atualmente? Por quê?
Dani Barros: Com certeza, pois o circo é um espaço de expressão artística onde você pode descobrir as suas habilidades, as suas potências e também as suas fragilidades, e esse autoconhecimento, essa disciplina e esse encontro é circular, sempre volta e se renova. A arte circense, como uma arte milenar, segue até hoje e, agora, saindo do núcleo familiar, nós também temos as gerações que foram para as escolas aprender circo e que fazem circo e vivem dele. Inclusive criando e formando novas gerações de artistas circenses, de professores de circo e de amantes e apreciadores da arte.
O espetáculo é descrito como “despretensioso e nonsense”. Como isso aparece no palco e como o público reage?
Dani Barros: Como tivemos pouco tempo para o processo criativo, criamos soluções que tivessem a ideia de um espetáculo mesmo, com um show de variedades. Essa é a forma que empregamos no palco, mas claro que existem sempre ajustes que a gente vai fazendo de acordo com determinadas reações do público. Com isso, conseguimos vislumbrar um bom desempenho. Espero que até o final da temporada a gente consiga lapidar ao máximo esse espetáculo e que ele tenha vida longa.
Quais expectativas a equipe têm para as oficinas e a mesa de debates? Como elas se conectam com a proposta do espetáculo?
Dani Barros: Lembrando que todas as ações do projeto são oferecidas de forma gratuita à população.
Uma das oficinas já aconteceu: Técnicas de Palhaçaria para a Terceira Idade, na Casa Sebastiana Barbosa Ferreira – CCI, com dois grupos de idosos que se divertiram e adoraram, ficaram muito felizes e agradeceram por vivenciar essa experiência de ser palhaço por um dia. A gente reforça a importância de ações como essa, aproveitando a presença de artistas de fora, que compartilham todo o seu conhecimento e experiência, com pessoas que muitas vezes não têm acesso a essa arte.
Quanto à oficina de Drag King, a expectativa é de que as participantes realmente estejam engajadas na experiência de realizar uma transformação, que pode se manifestar de diversas formas, como uma criação de persona, que pode ser o alter ego, uma forma de empoderamento, uma experiência dentro das identidades de gênero, entre outras possibilidades. A minha expectativa é de que as pessoas estejam realmente buscando essa experiência e transformação.
É importante compartilhar com a comunidade algumas possibilidades e inspirações – através da vivência desta oficina, de criar e dar vida a um personagem Drag King.


Por fim, sobre a mesa de debates, através dos estudos e pesquisas dentro das questões de gêneros e sexualidade, pretendemos debater, de forma acessível, para que a gente possa evoluir como sociedade, e discutir ideias de inclusão para a diversidade dentro do recorte de gênero e sexualidade. Como proponente do projeto “Circo Vivo” e uma pessoa que pertence à comunidade LGBTQIA+, acredito que essas ações contribuem para o enfrentamento ao preconceito e desinformação, visibilidade e representatividade, formação cidadã e educativa, além do fomento à cultura e diversidade.








