Religião

Pimenta nos olhos dos outros

Existe um velho ditado que diz:

–  “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Hummm!

Isso parece ser bem dolorido. Afinal, pimenta arde e deve causar, no mínimo, um grande desconforto. Deste modo, podemos dizer que, pimenta nos olhos dos outros, continua sendo pimenta.

O objetivo de trazer esse ditado popular à lembrança é o de levar a refletir sobre a nossa forma de olhar a dor do outro, visto que temos a tendência de, quase sempre, aumentar a gravidade dos erros alheios e diminuir a dos nossos, olhar a dor do outro como se fosse menor que a nossa. Somos bons juízes, porém, péssimos réus. Sabendo desse fato, devemos ser cautelosos ao criticar nossos irmãos, ou censurá-los, quanto aos seus erros, quando estamos sujeitos a erros e faltas semelhantes ou até mais graves.

Digno de morte ou de perdão?

Podemos destacar o exemplo de Davi que, ao ouvir a respeito do homem rico, que tomou a cordeirinha do homem pobre, julgou que deveria ser condenado à morte: “Vive o Senhor, que digno de morte é o homem que fez isso.” (2 Sm 12.5)

Aconteceu que, ao ser confrontado, estando no lugar do réu, Davi clamou por misericórdia. A esse respeito, Jesus foi muito enfático:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mt 7:1-3)

Cabe advertir que, ao ler este texto, muitos têm uma visão muito equivocada quanto à avaliação e o senso crítico. Atentemos para o fato de que Jesus não está condenando o exercício natural do ser humano de fazer uso da faculdade crítica, do juízo de valor e escolha entre diferentes formas de olhar. O que Ele desaprova é o hábito de fazer crítica dura contra os irmãos, o que deprime, machuca e enfraquece, em vez de corrigir, fortalecer e edificar.

E se a pimenta estivesse em seus olhos?

Um dos grandes desafios, quando falamos em ser justo, praticar a justiça, é o fato de que todos nós, certamente, queremos que as pessoas nos tratem de forma justa, generosa até. No entanto, nem sempre somos justos com os outros. Mas Jesus vai além. Ele nos orienta a fazer para o outro aquilo que desejamos que seja feito para nós: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mt 7.12)

Ao olhar as falhas do irmão, devemos cogitar decomo gostaríamos que apreciassem as nossas próprias falhas. A partir daí, provavelmente exerceremos um olhar com amor, misericórdia e desejo sincero de ajudar.

Afinal, em algum momento, a pimenta pode espirrar em nossos olhos.

Pb. Daniel Vitor

É professor; psicopedagogo; escritor; compositor; teólogo; palestrante de temas familiares, cristãos e educacionais e Conselheiro Tutelar em Franca.

3 Comentários

  1. Um belo texto que possamos refletir sobre ele e exercemos mais misericórdia do acusação e juízo sobre o nosso próximo, da foi bem lembrado quando era o outro morte para ele quando ele viu que o homem citado pelo profeta natãm,aí misericórdia é bem assim que somos na maioria das vezes. Parabéns meu amigo uma belicima reflexão.

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