Revolução mais humana que digital


A revolução tecnológica criou uma revolução no trabalho, ainda em curso. O escasseamento dos postos de trabalho pela substituição de serviços humanos por resoluções tecnológicas, traçam um futuro incerto para o mercado laborativo. De acordo com a ONU, até a metade do século 21, 40% dos postos de trabalho atuais deixarão de existir. Analistas sugerem que em tal cenário, empresas e pessoas precisarão se adequar às demandas que virão, por meio de qualificação para atividades que ainda nem foram criadas.
Capacidade de adaptação
A pandemia do Covid-19 não havia assolado o mundo quando os resultados da pesquisa Empresas do Futuro, da consultoria Great Place to Work de 2019, apontaram que, de forma geral, as organizações investem em capacitação técnica, mas a mesma pesquisa diz que “adaptação” será a palavra de ordem, ou seja, a capacidade de sobreviver estratégica e adaptativamente num mundo em constante transformação, será a habilidade mais desejável no futuro próximo.

Os empáticos serão os líderes do futuro
A pandemia só veio confirmar tal previsão. Assim, o investimento na humanização da capacitação profissional deverá afetar e transformar toda a cultura no mercado de trabalho de forma positiva, esperamos. No livro “Por que as pessoas empáticas serão os líderes do futuro”, o autor Jaime Ribeiro, que foi executivo em várias multinacionais e hoje oferece consultorias em desenvolvimento humano, salienta que no ‘mundo VUCA’ (volátil, incerto, complexo e ambíguo) dominado por uma geração cada vez mais centrada em si mesma e gerida pela frieza e instantaneidade das interações digitais, a empatia (capacidade de se colocar compassivamente no lugar do outro), será uma das habilidades mais requisitadas para a construção de uma sociedade melhor, o que, inclusive será uma demanda de mercado.
Inteligência emocional e criatividade

Outras habilidades, de par com o viés adaptativo, serão a criatividade e a inteligência emocional, conceito criado pelo psicólogo americano Daniel Goleman na década de 90 e muito entranhado na visão de ser humano, no mundo corporativo. Nessa esfera, a inteligência emocional aparece como uma das competências comportamentais que representa 58% do desempenho de qualquer profissional e que passa, necessariamente, pelo desenvolvimento da habilidade de comunicação para construção de autoconfiança. Portanto, o mundo do trabalho num futuro próximo pedirá capacidade de adaptação, empatia, comunicação, criatividade, como pré-requisitos mais importantes do que a capacitação técnica em si.
Na próxima edição desta coluna, discutiremos, nessa perspectiva, as lideranças








