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“Ainda é precoce falar em redução. Se a população não cooperar, bateremos 50 mortes por dia”, diz Homero Rosa

Depois de 19 dias com números alarmantes, Franca voltou a registrar apenas uma morte em decorrência da Covid-19, na última quinta-feira (3). Mas a sensação de que esse dado pudesse sinalizar uma esperada tendência de queda durou pouco. Ontem, sexta-feira, a cidade registrou mais 7 vidas perdidas em decorrência do coronavírus. Mesmo considerando que são números menores do que aqueles registrados nas últimas semanas, com pico de 18 mortes no dia 28, ainda não há o que comemorar. Franca passou a viver em lockdown desde o último dia 27 de maio, mas o impacto do isolamento nas mortes e nos casos, segundo o médico Homero Rosa, da Vigilância Epidemiológica, deve ser sentido apenas nas próximas semanas. “Ainda é precoce falar sobre os efeitos do lockdown, já que precisamos no mínimo de um ciclo inteiro (15 dias) para notar. O principal objetivo é diminuir a altíssima circulação do vírus. Quanto menos circula, menos casos teremos”, explicou.

O médico faz, também, uma leitura precisa e ao mesmo tempo preocupante do momento pelo qual Franca passa. “Vivemos hoje o pior cenário possível e, se a população não cooperar e nada mudar, bateremos 50 mortes por dia. A fase restritiva é um sacrifício grande, tanto financeiro como emocional, mas neste momento temos que usar mais a inteligência”, disse. Segundo o médico, o vírus na “versão 2021”, com as variantes, é mais grave e nem a abertura de 100 novos leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) seria tão efetiva para diminuir os casos e mortes como o isolamento.

A última vez que a cidade tinha confirmado apenas uma vítima no dia foi em 15 de maio. Desde então a cidade viu os números aumentarem consideravelmente e chegar nos picos mencionados. Mesmo com as medidas mais restritivas que proíbem o funcionamento de estabelecimentos comerciais, fechou supermercados, farmácias e fábricas e suspendeu o transporte público, a cidade registrou 74 mortes em oito dias (entre 27 de maio e 3 de junho). No mesmo período também foram confirmados 1.849 casos, média de 231 novos casos por dia.

Apesar das restrições que determinam que os francanos fiquem em casa, desde que o lockdown começou, infelizmente, não é difícil encontrar pessoas praticando exercícios físicos, estabelecimentos abrindo irregularmente ou pessoas se aglomerando. Em todos os dias de lockdown, a Patrulha Covid, que conta com fiscais da Vigilância Sanitária, além da Guarda Civil Municipal e Polícia Militar, fez notificações, orientações e até interdições de espaços que descumpriam as regras. Entre elas, uma das mais emblemáticas, foi de uma academia onde mais de 20 alunos se esconderam por mais de 5 horas buscando fugir da fiscalização.

Nesta quinta, feriado de Corpus Christi, Franca atingiu 50% de isolamento, de acordo com Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo. O índice ainda é menor do que o ideal e, em alguns dias, mesmo com o isolamento, esteve ainda menor. “Precisamos do apoio da população, precisamos todos respeitar as regras juntos e diminuir a transmissão do vírus. Enquanto ao menos 70% da população não estiver imunizada, é necessário seguir todas as orientações. Usar máscara, álcool em gel e manter o distanciamento. Ou passaremos a ter pessoas morrendo em casa, sem atendimento, como já vimos acontecer em outros lugares”, finalizou o médico Homero Rosa.

Mesmo com o isolamento, centenas de pessoas têm passado diariamente pelo Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz” com sintomas de covid-19. O boletim Covid-19 divulgado na manhã deste sábado (5) aponta que ontem 377 pessoas passaram pelo Pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz” com sintomas do coronavírus. No total, 54 pacientes estão regulados pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) aguardando uma vaga em hospitais de Franca ou região. São 30 esperando vaga de UTI, sendo que deles 14 estão intubados; e 24 aguardando um leito de enfermaria.

Um Comentário

  1. Enquanto não começar a tratar, vão morrer mesmo. É entubar e esperar a morte. Quero saber até quando vão negar o tratamento com medicamentos que o mundo inteiro está utilizando…. Vamos fazer o seguinte, perguntem pro paciente se ele se responsabiliza pelo tratamento com esses fármacos, pega uma assinatura e pronto! Dê a chance pra quem não vê nenhuma luz no fim do túnel. Simples assim… Quem sabe não diminui internações liberando assim toda a população pra viverem suas vidas em paz! Espero mais bom senso no debate e não politicagem escancarada.

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