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Noticias falsas sobre massacre pipocam em apps de mensagens e provocam medo e pânico

Uma leitora e empresária do ramo de chocolates artesanais entra em contato com a redação da Folha de Franca para “cobrar” informações sobre “o porque em Franca ainda não se falaram sobre os ataques às escolas, sobre o mês de abril ser o ‘mês dos massacres'”.

Ao indagar a mulher, descobre-se uma rede de informações falsas publicadas e disseminadas como rastilho de pólvora pelos aplicativos de mensagens, principalmente Whatsapp e Telegram. Esses boatos e falsas notícias que a leitora e centenas de milhares de pessoas de Franca e região tem recebido e compartilhado sem critério ou checagem, têm gerado um pânico entre pais de estudantes de todas as idades na cidade.

O número de mensagens falsas, as chamadas fake news, compartilhadas nas redes sociais, principalmente no Whatsapp e Telegram, aumentou exponencialmente após o crime cometido em uma creche em Blumenau (SC) em que 4 crianças foram brutalmente assassinadas.

De acordo com a leitora que enviou a mensagem para a Folha de Franca, ela tem filhos que estudam na rede estadual e gostaria de saber se “seus filhos estão seguros”. Segundo a Seduc (Secretaria de Educação do Estado), o Estado está atento aos últimos acontecimentos e atua em parceria com as redes de proteção do Município e com os órgãos de segurança pública em todo estado “para a conscientização das comunidades escolares em relação à proliferação deste tipo de conteúdo”.

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo conta com o Gispec (Gabinete Integrado de Segurança e Proteção Escolar), que realiza estudos sobre a violência na área de segurança das escolas e o planejamento de estratégias, e monitora diariamente as escolas”, diz a pasta.

Apesar de não haver qualquer fundamento, as ameaças compartilhadas nas redes tem assustado pais e alunos em todo o Estado e na região de Franca. Em um perfil de notícias sobre a cidade de Guará, por exemplo, uma suposta mensagem escrita na porta do banheiro de uma creche local acabou gerando medo e desconfiança em pais (Veja abaixo).

Mensagem sobre falsa notícia sobre massacre que circulou em redes sociais em Guará (SP)

Boatos não são novos

Em junho de 2022 uma onda de fake news iniciada no começo de abril, também assustou pais, professores e alunos em todas as regiões do país, mobilizando a polícia e até o poder público.

O padrão era o mesmo: o aluno picha em algum lugar da escola, normalmente no banheiro: “Massacre dia X”. A maioria tira foto, apaga a frase e depois publica nas redes sociais ou distribui em grupos de WhatsApp, usualmente em um perfil anônimo.

A veiculação da mensagem acaba por chegar aos pais e à escola, provocando um clima de apreensão. Seria uma ameaça real? Para se precaver, os colégios acabam fazendo um boletim de ocorrência, deixando a investigação a cargo das forças públicas. Na maioria das vezes não é possível identificar o pichador e o caso fica sem solução.

Uma dessas supostas mensagens de ameaça circulou por grupos escolares do EETC e da Professor Hélio Palermo e também gerou terror entre pais e alunos. Uma pichação que trazia a mensagem “Massacre – 30/05/2022” ocorreu no banheiro da EETC (Escola Estadual Torquato Caleiro), acabou sendo distribuída em redes sociais e mensagens por Whatsapp para estudantes de outras escolas, o que causou temor e apreensão por toda a comunidade escolar local. À época, a Seduc (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) confirmou a veracidade da mensagem e informou que tomou “providências imediatas para tranquilizar a comunidade escolar”.

Como começou

Essa onda de fake news a respeito de massacres em escolas surgiu nos Estados Unidos, em dezembro de 2021, quando grupos passaram a divulgar essas mensagens pelo aplicativo TikTok. Lá, no entanto, são comuns esses atos de violência, como o ocorrido recentemente em uma escola em Uvalde, no Texas, quando um jovem de 18 anos matou a tiros ao menos 19 crianças e 2 adultos.

Em dezembro, muitas escolas americanas cancelaram suas aulas após ameaças, principalmente as de cidades do interior do país, e a polícia aumentou seu efetivo. À época TikTok chegou a divulgar uma nota afirmando que trabalha para identificar fake news e mensagens ofensivas. “Lidamos com os rumores de ameaças com a maior seriedade, razão pela qual estamos trabalhando com as autoridades policiais para investigar as advertências de possíveis atos de violência nas escolas”, disse a empresa no comunicado. “Não encontramos evidências de que tais ameaças se originaram ou se espalharam pelo TikTok”, acrescentou.

Alessandro Macedo

É jornalista e editor da Folha de Franca

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