
A Páscoa é celebrada na primavera no dia 14 de Nissan, que para nós coincide a cada ano, conforme o calendário, entre o 22 de março e 25 de abril. O nome inteiro é: Pesah Zeman herutenu, ou seja, a estação da nossa libertação, que faz memória da saída dos hebreus do Egito. Este acontecimento assinalou o nascimento da Nação Hebraica.
Páscoa quer dizer passar adiante, ou seja, durante a última praga no Egito, a morte dos primogênitos, o anjo exterminador pulou as casas dos hebreus que estavam assinaladas com o sangue do cordeiro. Páscoa designa também a vítima pascal e o cordeiro. Era uma festa originariamente agrícola e de peregrinação.
A Festa da Páscoa sofreu alterações e passou a ser celebrada com um jantar em família, no qual um cordeiro devia ser assado e servido a todos. O jantar também devia dispor de pão sem fermento (matzá em hebraico) acompanhado de algumas ervas amargas. O pão sem fermento simboliza a pressa com a qual o povo hebreu teve que sair do Egito e as ervas amargas recorda a amargura da vida dos hebreus durante a escravidão do Egito.
Para a celebração da Páscoa, criou-se uma sequência que recebeu o nome de Hagadá, que inclui o relato do capítulo 12 do livro do Êxodo, os 4 cálices de vinho e o charosset(pasta doce). A alegria da Páscoa reúne a recordação de todas as libertações coletivas. Os hebreus vivem de forma antecipada, a redenção final. A cada geração, cada um deve considerar-se como que liberto da escravidão do Egito. A saída do Egito não é um acontecimento do passado, mas é uma experiência atemporal, ou seja, cada um tem o seu Egito para deixar.
A última Ceia que Jesus celebrou foi também desse modo. A Páscoa Cristã tem relação direta com a Páscoa Hebraica: Jesus é o Cordeiro Santo imolado para a nossa salvação; a Eucaristia está ligada tanto com o pão sem fermento, quanto ao cordeiro, pois ambos se tornam alimentos daqueles que compartilham da mesa; o sangue de Jesus está relacionado ao vinho do jantar e ao sangue aspergidos nos umbrais das portas das casas dos hebreu no Egito.
O Cálice da Benção e o Cordeiro Pascal (Autor: Scott Hahn)
Antes do início da Ceia é dada a Benção inicial, chamada de Kidush. Nesse primeiro momento são feitas orações e servidas ervas amargas, em seguida o cálice de vinho é passado a todos os presentes.
A segunda parte do Seder Pascal chama-se Maguid. Neste momento conta-se a história do povo hebreu e faz-se a leitura do capítulo 12 do livro do Êxodo. É bonito ver a participação das crianças nesta parte da liturgia, quando elas fazem perguntas aos adultos cujas respostas completam a narrativa histórica. Em seguida é entoado o Hallel – cântico de louvor a Deus – e o segundo cálice de vinho é servido.
Na terceira parte é servido o cordeiro assado, os pães ázimos e o terceiro cálice, que recebe o nome de “Cálice da Benção”. Aqui são entoados os Salmos do 114 ao 118. É este Cálice da Benção que Jesus ergue e diz na hora da Última Ceia: “Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em sacrifício de muitos para a remissão dos pecados”(Mt 26,28).
O Quarto cálice, chamado, “Cálice da Consumação”, faz parte do momento final da celebração da Páscoa Hebraica, porém Jesus não bebe deste cálice e nem serve aos discípulos. Após beber o terceiro cálice, Jesus se retira para o Getssêmani, acompanhado dos apóstolos Pedro, Tiago e João. Jesus dirá em sua oração no Getssêmani: “Afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14,36), e quando entregou o Espírito ao Pai no alto da Cruz, Cristo dirá: “Tudo está consumado” (Jo 19,30).
Fontes: O Banquete do Cordeiro, Guia – Ano 2, n. 15, ps. 18-26; Feste e Racconti Ebraici, Colette, Estin, ps. 117-121.








