Local

A relação entre o capitalismo, as mudanças climáticas e o surgimento de doenças

Recentemente o secretário da ONU disse: “O mundo está com o pé no acelerador no caminho para o inferno climático”. O mundo está adoecido e juntamente com as mudanças climáticas surgem cada vez com mais força, outro inimigo muito conhecido pela humanidade, aquele inimigo com o qual convivemos desde tempos imemoriais, e de vez em quando aparece com força total para nos lembrar de que não somos nada nesse imenso universo que nos circunda, o inimigo chamado doenças.

A proliferação de doenças configuradas em epidemias e pandemias têm uma relação simbiótica com a estrutura social e ecológica a qual vivemos. Ou seja, a maneira como estabelecemos a estrutura da sociedade a qual estamos inseridos, tem ligação direta com o aparecimento e proliferação de novas doenças em concomitância com o reaparecimento de doenças que anteriormente haviam sido consideradas extintas, e que hoje voltam com mais resistência.

A história da proliferação das doenças pelo mundo nos diz que tal conceito está intrinsecamente ligado às questões estruturais de que compõem nossa sociedade, logo, uma mudança radical é extremamente necessária. Mudança de consciência, desenvolvimento de pensamento crítico e principalmente a mudança do sistema, o sistema capitalista que busca o consumo exagerado e o descarte sistemático de bens para que outros bens possam ser consumidos e descartados novamente, em um círculo vicioso sem fim, e sem respeito algum pelo meio ambiente. Ou seja, não precisamos de apenas medidas paliativas, precisamos de mudanças na base estrutural como um todo, de forma efetiva. 

Dentro das desigualdades sociais, a pobreza extrema, a desnutrição, a falta de saneamento básico, as desinformações acerca de prevenções de doenças etc., fazem com que esse problema se agrave ainda mais. Paralelamente a isso, as transformações do meio ambiente pelos seres humanos, devido a aceleração de nossa proliferação sobre o planeta terra, fazem com que obviamente tenhamos que adentrar ainda mais os limites do meio ambiente para garantir a produção agrícola, e alimentícia como um todo.

A busca desenfreada por energia muitas vezes não limpas e não renováveis, juntamente com a não conscientização dos governos do mundo acerca desses problemas, aliados ao imenso desrespeito com os limites planetários adentrados, a fim de abastecer e satisfazer a população global, faz com que haja um desequilíbrio com o meio ambiente e faz com que a ameaça climática se acelere cada vez mais, trazendo consigo a proliferação de doenças.

 Muitas pessoas devido as condições de pobreza e desinformação as quais vivenciaram no passado, trouxeram-lhes no presente um sentimento de ganância, e quando eventualmente tais pessoas são colocadas em algum patamar monetário diferente do que eles vivenciavam no passado, fazem com que eles a fim aplacar a falta de condições antes vivenciadas, almejem todos os bens de consumo que puderem obter, sem se importar com quais meios isso é conseguido. Para isso ousarei parafrasear Paulo Freire, quando ele diz que “quando não há uma educação libertadora, o sonho do oprimido é se tornar o opressor”. Em Concomitância com essa questão, existe uma pequena parcela da população que devido a sempre terem estado em condições de privilégios de todos os tipos, nunca se dignou a olhar para o lado e tentar compreender de onde vem tudo que é aprazível a eles, afinal se eu não vejo alguém passar fome, a fome não existe, se eu não enxergo a poluição nos mares ou em outros habites, tal questão também não existe, a visão reducionista lhes turva os olhos e fazem com que eles ignorem tal situação.

Em suma, todos os seres humanos não importando a classe social a qual pertençam buscam, desenvolvem essa relação dialética de consumo e descarte, logo, é preciso que tomemos medidas drásticas e urgentes acerca da estrutura social e ambiental a qual vivemos, pois sem isso estamos caminhando diretamente e cada vez mais rápido para a destruição de nosso mundo, ou seja, de nós mesmos.

Evanuse Fernandes

É Graduada em Psicologia pelo uni-FACEF com orientação em Psicologia Analítica/Junguiana, Graduanda em História pela Uniube, e Pós-graduanda em Psicologia com Intervenção em Drogas pela Faculeste.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo