Opiniões

O capitalismo e o vazio existencial sob a ótica da psicologia analítica

O planeta está doente, e consequentemente, nós também. Perdemos a capacidade de nos re-ligar ao todo, a religião que anteriormente tinha como principal premissa básica nos ligar ao mundo espiritual, e nos conduzir ao todo, se perdeu em ideologias sem sentido para satisfazer às vontades e ideais de cada um conforme suas próprias verdades, verdades essas muitas vezes fundamentadas em princípios triviais de acordo com a “bolha” existencial a que cada um de nós fora criado. Nesse momento perdemos nossa capacidade de entrar em conexão com a totalidade através do coletivo, do inconsciente coletivo, como diria Jung, o coletivo que nos mantêm ligados a todos os seres oriundos deste planeta através de experiências e sentimentos primordiais que sempre foram imprescindíveis ao ser humano enquanto cultura, e ser individual ligado ao todo.

 O mundo contemporâneo e capitalista está cada vez mais conectado através da globalização, mundialização e planetarização, porém o ser humano nunca esteve tão desconectado, de si mesmo e de seus pares. As pessoas vivem vidas solitárias mesmo estando conectadas com todos os outros seres humanos através da tecnologia, o tempo todo. Estamos ligados entre nós pela rede virtual que nos circunda, porém estamos desligados de nós mesmos, da capacidade de olharmos para o próximo e para todos os outros seres como partes iguais de um todo. Nesse momento perdemos a capacidade de nos conectarmos principalmente com o universo ao qual habitamos, com a totalidade, totalidade essa cujo sentido original a muito se perdeu de nós.


Nós perdemos a nossa essência quando começamos a sobrepor a razão em detrimento da intuição, daquele sentimento que vem de dentro e surge despretensioso, de repente, sem ser pensado ou racionalizado. Nesse momento nós perdemos o contato com nossa espiritualidade, e começamos a priorizar outras coisas, coisas passageiras e efêmeras. Todo homem é dotado de razão, isso está intrínseco em nós e nunca deve ser desprezado, no entanto deixamos de desenvolvermos com o tempo o equilíbrio do racional com o emocional. Nesse momento nós perdemos a capacidade de sentir com o coração e nos fechamos à ideia da busca de sermos capazes de viver bem uns com os outros, dando lugar a individualidade e desprezando o todo mais uma vez.

Quando pensamos na desconexão do universo que habitamos, estamos nos referindo ao cosmos, porém não podemos nos esquecer do microcosmos que nos circunda, o nosso ambiente ecológico, nossa casa, nossa origem, nunca estivemos tão desconexos de nossas raízes. Nesse momento nós perdemos a capacidade de nos sentirmos em consonância com nosso habitat natural, nossa essência, nosso propósito existencial, nosso espírito ecológico, nossa conexão com a mãe Gaia. Por toda essa conexão desconexa, é que se faz necessário que haja um resgaste de nós mesmos a partir da sensibilidade que hoje é tão rara dentro de nós, é preciso que nos liguemos novamente ao nosso universo ecológico-social, ou seja, é preciso que nos voltemos a nós mesmos a fim de nos religar com nossas raízes primevas, com o cosmos em que habitamos, o meio ambiente em que nascemos e pertencemos, e por fim, nos religar com todos os seres que também fazem parte do todo através da espiritualidade perdida. Nesse momento poderemos voltar a nos sentir ligados novamente à totalidade e a todos os seres que dela fazem parte, em um movimento uníssono, ou seja, voltarmos novamente a nos sentirmos como várias partes pertencentes a um todo.

Evanuse Fernandes

É Graduada em Psicologia pelo uni-FACEF com orientação em Psicologia Analítica/Junguiana, Graduanda em História pela Uniube, e Pós-graduanda em Psicologia com Intervenção em Drogas pela Faculeste.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo