Guerra na Ucrânia: 1 ano de guerra, vários envolvidos e apenas 1 derrotado.

Quando olhamos o terror da guerra sempre nos perguntamos: “Por quê?” A resposta para essa pergunta é muito complexa e envolve diversos fatores, desde a nossa própria visão sobre a guerra, como os interesses envolvidos, e até a mesmo a filosofia e ciência que compõe um elemento tão antigo.
Desde que a humanidade se fundou como sociedade, as guerras fazem parte do seu cotidiano. Podemos encontrar elementos de guerra em vários livros sagrados: Torah, Bíblia, Alcorão e também em vários livros teóricos da Antiguidade Clássica oriental e ocidental, ou até mesmo em povos primitivos em que a guerra é praticamente um ritual sagrado. Em outras palavras, a guerra é um dos elementos fundantes da sociedade.
Contudo, com a ascensão e consolidação do capitalismo, o modelo de guerra ganhou elementos novos e originais. A guerra moderna se uniu à geopolítica e à economia e passou a ser planejada para não ser apenas um conflito em si, mas para gerar lucro.
O porquê de uma introdução tão longa? É para desafiar o leitor a não ver a guerra de forma moral, pois, quando a pensamos desse modo, mais facilmente somos manipulados pela sua propaganda, que hoje é sem dúvida, uma as armas mais poderosas de guerra. É importante apontar que demonizar o inimigo faz parte de uma estratégia militar eficiente.
A guerra moderna, tem algumas características principais: ela é de interesse geopolítico-econômico, é propagandística e sem dúvida industrial. Desde o final do século de XIX até os nossos dias, as guerras ganharam proporções nunca vistas antes na história. Batalhas são capazes de matar centenas de milhares de pessoas em apenas um único dia e destruir regiões inteiras em horas.
Carl von Clausewitz, que foi general prussiano durante o período napoleônico, ajudou a teorizar a guerra e a moldar a forma que a entendemos. Para ele, a diplomacia era uma continuação da guerra em tempos de paz. Ou seja, mesmo em tempo de paz havia guerra, mas de forma diplomática, onde há sempre a medição da força do outro.
Nesse 1 ano do início da guerra da Ucrânia, baseado nos elementos acima, podemos chegar á algumas conclusões. A Ucrânia hoje é um palco de conflito mundial, a Rússia tentava antes da guerra, via diplomacia, impedir o ingresso da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que basicamente reúne as maiores potências militares do ocidente. A Ucrânia, por sua vez, via nesse ingresso a possibilidade de ser mais autônoma com a relação à influência russa.
A entrada da Ucrânia na OTAN significaria colocar a Rússia em uma situação frágil do ponto de vista geopolítico
A diplomacia não surtiu resultado e a Rússia invadiu a Ucrânia em 28 de Fevereiro de 2022. As consequências políticas da invasão ainda são sentidas, e os países que compõe a OTAN tem enviado cada vez mais suprimentos e armamentos de guerra para a Ucrânia, possibilitando um período maior de resistência.
Internamente Putin vem sofrendo oposição, mas tal comportamento vem diminuindo na medida em que o conflito vai ganhando contornos intencionais. Por outro lado, a Ucrânia se fortaleceu militarmente e com ajuda de brigadas de fascistas internacionais, vai impondo derrotas significativas à Rússia.
Internacionalmente, a Ucrânia e aliados tem conseguido isolar a Rússia e as sansões econômicas impostas, estão dificultando a economia que já dá sinas de recessão.
A guerra na Ucrânia tem todos as características da guerra moderna. Porém, tem uma que considero especialmente dura. De todas as características citadas nesse artigo, a mais emblemática delas, é o caráter industrial da guerra. A guerra nessa proporção tem um poder de destruição em larga escala. Assim, quem é colocado na linha de frente do conflito, é praticamente sentenciado à morte.
A questão que se coloca é: quem está na linha de frente? Essa resposta no sistema capitalista é simples: a classe trabalhadora! A Guerra é das indústrias de vários países, que lucram e muito com a guerra, mas a única derrotada em qualquer guerra que envolve as potências capitalistas, são os trabalhadores! Desta forma, a única derrotada nessa guerra, é a classe trabalhadora.








