Partido dos Trabalhadores, 43 anos: entre a luta e as contradições

O Aniversário do Partido dos Trabalhadores que aconteceu no último fim de semana nos remonta à sua trajetória. No final da ditadura cívico-militar, em seu nascimento, o PT era a síntese da vontade política que se baseava na abertura democrática, a luta da classe trabalhadora por mais direitos, o campo unido à setores sociais da Igreja Católica pedindo por reforma agrária. A figura de Luiz Inácio Lula da Silva, era o sonho da esquerda tradicional: a figura popular, que tem origens extremamente humildes e que se conscientizou e liderou a classe trabalhadora a greves importantes.
A Central Única dos Trabalhadora (CUT) e o Movimento Sem-Terra (MST), a refundação da União Nacional dos Estudantes surgiram ligados umbilicalmente ao PT. O partido tinha em sua composição desde trotskistas, passando por setores progressistas da igreja a liberais ligados ao empresariado e ao setor financeiro. Essas diferentes visões era a força petista, as Diretas Já, e na Constituinte de 1988, o partido demonstrou sua força e se consolidou como a principal força de esquerda nas eleições de 1989, que, mesmo que tenha perdido a presidência para o Collor, ficou na frente do PDT de Brizola.
Os anos 90 foi de grande dificuldade para o partido, perdeu as eleições de 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso do PSDB, e viu, nas greves dos petroleiros em 1995, a sua maior derrota na base. O Governo FHC tomou diversas medidas para desregulamentar o mercado de trabalho e enfraquecer os movimentos populares e sindicais e abriu o país a privatizações escandalosas de setores estratégicos.
Nessa conjuntura, na medida em que o PT ia perdendo na luta popular, ele ia ganhando em prefeitura, Câmaras Municipais, espaços no congresso e nas assembleias legislativas. Essa institucionalização deu muita força para a ala mais burocrata do PT. Lenta e gradualmente a base foi perdendo em importância.
O PT é um partido de massa, mas que tem uma estrutura de quadros que é onde realmente se dá as decisões e a cadeia de comando. Quem alimenta esses quadros são as correntes que tiveram seus embriões na fundação do PT, mas se cristalizaram nas disputas internas. Podemos dizer que existem dois Partidos, o mais popular e democrático que é o da base, e o de quadro que é mais burocrático e institucional.
No final dos anos 90 a política neoliberal de FHC e do PSDB levou o país a quebrar e demonstrou que economicamente, o país estava exposto a qualquer perturbação do mercado financeiro internacional. O desemprego, a fome e o subemprego, eram mazelas duras ao povo brasileiro e com esse sentimento é que Lula foi eleito em 2002.
O principal desafio do PT era como congregar no mesmo governo, setores populares com inimigos históricos tanto na política quanto na economia. A saída petista foi a conciliação e essa tática política surtiu efeito. O PT governou o país de 2002 até o golpe contra Dilma Roussef em 2016, foram 14 anos de governo com números interessantes, mas que levaram as contradições profundas na política brasileira, e no próprio posicionamento do partido no espectro político.
Setores fortalecidos pelo partido na política de conciliação, foram justamente, os que deram o Golpe com o impeachment. Esses setores que se alimentaram dessa política de conciliação hoje são os mesmo que polarizaram o Brasil nos últimos anos.
O PT se rearticulou com uma nova base, que saiu do campo que defendia o mundo do trabalho, para bandeiras transversais, como LGBTPN+, mulheres, negros, juventude, cultura. Aqui se trata de colocar juízo de valor na opção do PT, mas o fato é, na medida em que o partido se ligou à essas novas pautas, as velhas bases petistas se alinharam ao conservadorismo.
Essas contradições históricas transformaram o PT em uma máquina poderosa do ponto de vista da representação política. É o partido que depois da redemocratização esteve mais bem posicionado em todas as eleições, figurando sempre entre as principais forças políticas. Em pesquisa recente do Data Folha, 25% da população brasileira se identificava como petista, todos os partidos juntos não chegam a 5%, ou seja, sozinho o PT é uma força colossal.
O desafio histórico agora colocado será de se readaptar novamente. A conciliação, dado o cenário político, não é mais possível. Os setores da sociedade são abertamente antagônicos, e provavelmente não se dissipará tão fácil esse tensionamento. A conjuntura é de muitas incertezas, e para continuar como uma das principais forças, talvez o PT terá que novamente se reinventar.








