O Fim do Mundo

Quando eu era criança eu costumava ouvir que o fim do mundo estava próximo, dadas às mudanças drásticas de costumes que aconteciam à época, a maldade que persistia no meio social de então – o Agenor havia assassinado o Onofre a facadas lá para as bandas do cerrado! – um fato ocorrido onde eu morava. Todos criticavam o assassino sem levar em conta que fora covardemente açoitado pela vítima, mais forte, por coisa à toa, discussão de boteco. Homens deixavam o cabelo crescer, coisa que causava repúdio e indignação.
Lembro-me que um vizinho discutia com o meu pai a modalidade de fim que teria a Terra: fogo! Da vez anterior fora o dilúvio o causador do fim dos viventes, com a arca de Noé salvando parte das espécies para um recomeço! Nós crianças ficávamos assombrados – por horas, talvez poucos minutos, é bem verdade – mas ficávamos aflitos. E a Terra e o mundo eram sinônimos, à falta de maiores informações!
Havia, na minha região, uma máxima que nos deixava mais inquietos ainda quando começávamos a entender que havia uma contagem do tempo registrado pelo calendário, embora não soubéssemos ainda quando começara. Mas a máxima dizia: “mil passarão, mas dois não chegarão”, dizendo respeito ao tempo registrado pelo nosso calendário, insinuando que o ano mil passaria (até porque já havia passado!), mas o ano dois mil não chegaria! E diziam que fora Jesus que havia feito a profecia! E como estávamos nos anos 1960, o medo se tornava algo mais palpável.
Vim a saber depois que o fim do mundo é algo corriqueiro, que permeou todos os períodos da história e que Jesus jamais disse quando seria esse fim do mundo. É verdade que nos Evangelhos escritos pelos seus discípulos contam advertências como: “orai e vigiai porque o fim está próximo!”; Mas Jesus não mencionou a data em que isso se daria. Ao que parece, essa previsão foi tirada do Apocalipse de São João, o mais obscuros dos Evangelhos, quando diz: “depois de se consumirem mil anos, Satanás será solto da prisão, saindo para seduzir as nações dos quatro cantos da Terra e reuni-las para a luta”.
Mas há milhares de previsões do fim do mundo ao longo da história. As duas mais marcantes parece que foram aquelas da passagem dos milênios. Na passagem do ano mil, um período bastante obscuro da Idade Média, dizem que houve maiores exageros. Era um tempo de miséria, de violência e medo. A Europa ainda coberta de floresta praticava uma agricultura de sobrevivência e vivia assolada pelos bárbaros. A Igreja, única referência de alguma luz à época, acabou recebendo muitas doações de ricos assombrados com o fim do mundo!
Já na passagem do ano dois mil, a coisa já foi bem mais branda, mas não faltaram alguns exageros, como suicídios coletivos incentivados por gurus fanáticos e tresloucados, gente se mudando para lugares que seriam preservados, etc. Quem não ouviu falar de Alto Paraíso de Goiás, no Brasil? A população da pequena cidade sita ao Norte de Goiás dobrou em pouco mais de um ano, entre 1999 e 2001, só porque corriam o boatos de que a cidade se situava numa região que tinha um energia que a protegeria dos cataclismos que selariam o fim do mundo!
Mas o fim da Terra, segundo os astrônomos, está a alguns milhões de anos, quando o Sol começar a se expandir para se tornar uma gigante vermelha e então engolir todo o Sistema Solar. Mais próximo, por mais irônico que possa parecer, está o fim da vida na Terra, se nada for feito para deter a destruição do ambiente necessário para que a vida se desenvolva. O interessante é que em relação a essa real ameaça, confirmada pela ciência e até por observação direta, estamos todos bem tranquilos!








Assim é a humanidade .Todos os povos que já passaram pelo planeta Terra usufruiram de todos os recurso possíveis sem qualquer preocupação com o futuro.Será que daqui mais alguns anos vamos continuar explorando estes minerais ou madeira ou água limpa para o consumo.Os séculos foram passando e “ontem” o ser humano descobriu que todos os recursos do planeta são limitados e que a mãe Natureza precisa de “um tempo” e mais respeito para se renovar.Mas o homem apesar de toda tecnologia não tem sensibilidade suficiente para entender que o “que acontecer com a Terra,acontecerá com os filhos da Terra”.E isto dito por um sábio chefe indígena americano há muito tempo…
Alegria ver o Ze |Borges por aqui
Trabalhamos juntos qd do meu mandato de prefeito em Franca
Feliz por saber que esta bem nestes momentos tao desafiadores por que passa o nosso planeta.