Opiniões

Êxodo Rural e uma história real

Em síntese, o êxodo rural pode ser definido como o deslocamento de uma população da zona rural em direção aos centros urbanos. Essa modalidade de migração geralmente acontece quando trabalhadores do campo estão em busca de melhorias de vida e se mudam com a finalidade de fixar residência na cidade.

Eu com minha família vivemos esta realidade. Em 1965, quando eu tinha cinco anos de idade, minha família mudou-se da Fazenda para Cidade de Orlândia em busca de melhorias de vida. Na Fazenda meu pai trabalhava na lavoura do café, transportava as sacas de café em carro de boi da Fazenda Granvia, município de Morro Agudo para a Fazenda Guaivira município de Sales Oliveira, onde existia uma estação ferroviária.

 Na Cidade de Orlândia meu pai passou a trabalhar cuidando de horta e jardim. Éramos em sete irmãos, cinco homens e duas mulheres. Eu, ao completar meus sete anos entrei para o grupo Iracema Miele. A precariedade naquele tempo era muito grande, para se ter uma ideia, eu ia algumas vezes descalço para a escola, levava o material escolar em uma sacola feita de saco de açúcar que chamávamos embornal. Para copiar as lições usávamos papel de embrulhar pão. A roupa também era feita de saco de açúcar, camisa e short de suspensório. Na hora do recreio era servido um lanche, leite e pão com manteiga. Ao completar doze anos comecei a trabalhar meio período em marcenaria e estudava meio período.

Hoje em dia, apesar da crise que estamos vivendo, devido à pandemia, ainda vivemos em tempos melhores. Existem regiões ainda muito precárias neste sentido, ainda, tanto no Brasil como em outras partes do mundo.

Escrevo isso como um testemunho de como é possível ainda que na precariedade, viver uma vida feliz. É certo que viver a vida feliz em circunstâncias como estas não é fácil, mas porque será que acontece também de pessoas que tendo tudo nesta vida, do bom e do melhor, e mesmo assim não são felizes!

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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