Opiniões

A Nossa casa

“A Terra é azul!” – foi a constatação emocionada do astronauta russo Yuri Gagarin, ao avistar a Terra desde o espaço pela primeira vez. A bordo da Vostok 1, Yuri realizava a primeira viagem do homem no espaço, completando uma volta em torno do nosso planeta, em abril de 1961. A visão da Terra brilhando a distância no fundo escuro do espaço é uma experiência fascinante, que faz o observador mudar radicalmente o modo de ver a vida, afirmam os que já realizaram a proeza.

Consta que Yuri passou a fazer apelos para que os povos se dispusessem a salvaguardar as maravilhas do planeta. E foi uma surpresa o seu gesto de expressar uma preocupação política universal, sendo cidadão de um país que integrava a União Soviética, porque nós, ocidentais, sabemos que atrás da “cortina de ferro” vigorava um regime que não primava pela liberdade de expressão do pensamento…

Li recentemente que um robô da Nasa enviado a Marte está pesquisando os elementos da sua crosta, objetivando criar uma atmosfera respirável naquele inóspito planeta para, quem sabe, num futuro não muito distante, possibilitar a sua povoação pelos habitantes da Terra. E li mais: que foi realizada com sucesso uma experiência interessante – conseguiram criar oxigênio a partir do dióxido de carbono existente na atmosfera marciana. Foram criados seis gramas de oxigênio, que os cientistas dizem que daria para um ser humano respirar por 10 minutos! A atmosfera da Terra não é composta só de oxigênio, mas de uma mistura de vários gases e de outros elementos.

Mesmo assim é uma ótima notícia. Imaginem que daqui a algumas décadas teremos florestas crescendo em Marte! Se conseguirem desenterrar a água existente no seu subsolo, será que daria pra criar regimes de chuvas, como os da Terra? Certamente que não, porque a quantidade de água existente lá nem de longe pode ser comparada com a da Terra, que carinhosamente já foi considerada ‘o planeta água’. As chuvas do Brasil, por exemplo, se formam pela evaporação das águas nos rios, nos oceanos, nos lagos; a seguir o vapor d’água se espalha por sobre o continente e, pela interação com a umidade das florestas tropicais e outros fatores, se liquefaz e se precipita, causando os nossos rios e córregos, que as devolvem aos oceanos. Em Marte o processo será bem diferente!

Mas, uma notícia muito boa, sem dúvidas, a possibilidade de se criar em Marte algum tipo de atmosfera que pelo menos se sustente, como a da Terra. Mas, por que não cuidamos do nosso meio ambiente antes que milhões de formas de vida da Terra desapareçam? Por que não nos preocupamos com as nossas florestas, com nossos rios, com nossos mares? Eles são únicos. Sem eles não conseguiremos sobreviver! Se os destruirmos, acabaremos com a possibilidade da vida no planeta. A Terra é a nossa casa. Por que demoramos tanto a agir em sua defesa? Na parte conhecida do universo não há ambiente igual ao nosso que possa ser alcançado com a tecnologia de que dispomos hoje. Por que nos conservamos indiferentes, se a nossa vida está em jogo?  Marte é apenas uma esperança ainda!

Será que esses empresários bilionários que estão patrocinando a nova corrida espacial desistiram de salvar a Terra? Terão concluído que não mais conseguiremos impedir que as espécies que habitam o nosso planeta sejam extintas? E conseguirão criar em Marte um meio que seja capaz de sustentar as formas de vida que habitam a Terra antes que elas desapareçam por aqui? Não há certeza. Há boatos de que estão atrás de dinheiro!

Enfim, se a povoação de Marte vingar, como estará nossa querida Terra azul daqui a um século? Se ainda tiver habitantes, possivelmente eles não mais verão o vizinho como planeta vermelho… Provavelmente um planeta meio azul ou meio verde. Mas, e a Terra? Terá se convertido em um novo planeta vermelho do Sistema Solar? Ou em outro planeta de cor barrenta como Júpiter? Sejamos otimistas e roguemos às instâncias superiores que conosco fazem contato, para que ambos sejam planetas azuis do Sistema Solar. Precisamos de muita fé, inclusive na ciência, porque a Terra hoje corre perigo. Corre sério risco de ser tornar um planeta inóspito num tempo não muito distante… Ave futuro!

Dr. José Borges

Advogado (Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca); especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil e em Direito Ambiental. Foi Procurador do Estado de São Paulo de 1989 a 2016 e Secretário de Negócios Jurídicos do Município de Franca. É membro da Academia Francana de Letras.

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