A esperança dos PMs para o governo de Tarcísio

A posse do governador Tarcisio Gomes de Freitas constitui uma nova esperança aos Policiais Militares por melhores soluções aos problemas e aspirações da classe, até porque, enquanto candidato, esteve cercado por comandantes de alto nível que o auxiliaram na formulação das propostas e por parlamentares da área que, com certeza, colaborarão na montagem do melhor projeto para a Polícia Militar. Egresso do meio militar – feito oficial na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e engenheiro pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), é Capitão da Reserva do Exército – o futuro dirigente paulista tem melhores condições que seus antecessores para compreender e bem encaminhar as questões da Segurança Pública e, principalmente, os gargalos que prejudicam o trabalho, a carreira e a vida do policial militar, dos quais, pelas atribuições do cargo, será o Comandante-em-Chefe. Em várias oportunidades, já adiantou que seu propósito é investir no material humano, como fazem as polícias mais avançadas do mundo. Tendo participado de importantes missões militares e de altos postos na área de infraestrutura, onde foi diretor federal e Ministro, encontrará os nossos PMs à espera de medidas que possam tornar a atividade da mais contemporânea e justa.
Durante as três décadas de governos tucanos, os militares estaduais paulistas tiveram muitos problemas e indefinições que só resolvidos na Justiça, especialmente os auxílios e indenizações (AOL e ALE) que atendiam aos interesses do governo, dando aumento disfarçado e temporário aos ativos e deixando de fora veteranos e pensionista, o que é ilegal. A lei garante que ativos, veteranos e pensionistas de um mesmo posto tenham salários idênticos e a Justiça, provocada, corrigiu essa anormalidade. A política dos sucessivos governos levou o PM de São Paulo a ter hoje o menor salário entre os das 27 unidades federativas (paradoxalmente, no Estado mais rico!). A expectativa é que o novo governante, sem ter as amarras ideológicas e administrativas dos que o antecederam, possa fazer algo para corrigir essas inconformidades.
Também se aguarda que Tarcísio – isento dos pruridos da social-democracia – possa criar condições para evitar as injustiças que normalmente se comete contra o policial militar a partir de fantasiosas denúncias de violência policial de difícil comprovação, mas sem possibilidade de negativa taxativa e, também, de outras coisas que os inimigos da Corporação tributam aos seus profissionais com o objetivo de enfraquecer a instituição policial. É preciso encontrar o regulamento mais adequado para o uso das câmeras acopladas à farda e para questões onde o policial age em nome do Estado e da Polícia Militar e não pode descumprir a ordem, mas, quando no cumprimento da lei causa problema, é obrigado a se defender pessoalmente, pagando advogado e custas e sofrendo todos os revezes que podem resultar em processo, condenação, prisão e até perda da função. Esse gargalo até hoje tem sido irremovível. Aguarda-se que com um governador vindo da atividade militar, fique mais fácil a sua compreensão e providências concretas de governo. A classe não pleiteia a impunidade, mas a justiça de não ter de pagar pessoalmente por atos – até mesmo possíveis excessos – que venha a cometer no cumprimento das ordens que não podem ser rejeitadas.
O País – assim como o mundo e a carreira militar – tem passado por muitas transformações decorrentes das mudanças sociais e do avanço tecnológico. Muitos regulamentos e comportamentos consagrados carecem de revisão e adaptação à nova realidade. Pensamos que ficará mais fácil conseguirmos essa atualização de procedimentos, deveres e direitos – que certamente pacificará e motivará a tropa – quando o governante é conhecedor e tem cultura militar suficiente para identificar os problemas e vislumbrar as soluções. É daí que surge a esperança dos Policiais Militares estaduais paulistas em relação a Tarcisio. Que ela se cumpra, para o bem geral da classe e avanços concretos na Segurança Pública.
Justiça seja feita. O governador Rodrigo Garcia, que assumiu o posto em março, já fez muito nesse curto período. Deu aumento de 20% aos salários (começou assim a recomposição das perdas salariais, que já somavam 48% em relação à inflação) , estancando de certa forma os pedidos de baixa de policiais por desmotivação econômica. Abriu concurso para admissão de mais de 5 mil soldados e oficiais e a conseqüente redução dos claros existentes nos quadros da Corporação. Adquiriu equipamentos e fez concurso para médicos e pessoal de apoio no Hospital Militar e comprou viaturas, equipamentos e armamento, fazendo frente a necessidades há muito proteladas por seus antecessores. De Tarcisio, que governará pelo menos por quatro anos, a classe espera que continue esse trabalho de revitalização da Polícia Militar de São Paulo e, em sendo alguém da área militar, possa fazer ainda mais, nos conduzindo a altos níveis de excelência pelo bom aproveitamento do pessoal e dos recursos, estabelecendo-se aquilo que os estudiosos costumam qualificar como uma nova força pública.







