Todo dia

Não via a hora de amanhecer o dia.
Foi dormir na companhia de preocupações.
Veio mulher, como notas de sublime melodia,
Pronta para se virar em domésticas combinações.
Deus não sendo, dele é feito singular.
No plano em que é posta, é ritmo do seu tom.
O apoio que lhe negam, aos seus é regular,
Racionalmente timbrada da consciência do dom.
A sequência linear de sua maternal existência
Compreende devaneios de princesa e corte de rainha.
O delivery do seu estrato social, na desigual indecência,
Manda avisar que nada foi pedido para mãinha.
Esperar o quê, se lhe acossa incontida autonomia
A capacitá-la a doar-se moça, experiente e idosa?
Em pertencimentos e abandonos, a douta da economia,
É a mais bela das flores, perfumosa presença e saudosa.
Ouve tanto eu te amo, de declaração desgastada.
Por dentro se contorce pela verdade da audição.
Pode ser que por trás do que ouviu foi engabelada.
As batidas que subiam do ventre são o seu coração.







