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Saudade

Durante muito tempo evitei as ruas por que andamos na minha infância. Sua morte me causava revolta, mais até do que saudade. E quando inadvertidamente eu entrava nalguma rua por nós palmilhada, uma pedra acabava sendo alvo de minha irresignação. A pedra chutada contra um muro ou contra outra pedra, no protesto que causava espanto em quem passava e que nem sequer me aliviava a dor. Um dia inadvertidamente eu entrei numa daquelas ruas. Uma pedra diante de mim parecia querer se converter em alvo fácil para o meu chute. Ao contrário do que sempre fizera, peguei a pedra, soprei-lhe o pó. Guardei a pedra no bolso e segui o caminho. O gesto discreto não causou espanto em quem passava, e me aliviou. Em mim já não havia revolta, só essa saudade dura e concreta. A pedra que levo comigo.

Rafael Fonseca Lemos

49 anos, é Advogado em Curitiba-PR

6 Comentários

      1. Rafael, você estudou no Paranaense Marista? Desculpa perguntar por aqui… lhe mandei uma mensagem a um tempo atrás, acho que caiu no seu spam…

  1. Saudade eu sinto do meu primo tão querido ! Nunca vou esquecer que chorou comigo por telefone quando soube que eu havia perdido meu filho . Eu amo muito vc Rafael , pena que perdemos contato . Deus te abençoe e proteja sempre !

    Esther

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