Rapto
Hari (हरि) é um dos nomes para Deus na Índia. Sua gama semântica passa por “o carregador, aquele que leva, ou rapta”. Seria, portanto, o mais nobre dos ladrões: leva embora o coração dos devotos.
Há muito pouco a se dizer sobre o rapto divino. Por fora, parece que o corpo paralisa. Por dentro, a alma é pinçada para sua origem e fonte. Do rapto que os próprios deuses almejam, ou as santas e os santos se regozijam, uma coisa é certa: não há muito a se dizer.
Afinal, calaram-se enquanto iam sendo raptados, um a um, abandonando suas dúvidas. Alguns choraram e sorriram simultaneamente. Outros cantaram. E ainda, teve aqueles que rolaram no chão e sorriram e choraram ao mesmo tempo. O que viram? Muitos se calam quando perguntados. Há reinos desconcertantes que desnudariam a mais bela das palavras.
Porém, recomendam receitas: clama por Aquele que rapta, e seja inoportuno, tal criança que exige aos berros e soluços à mãe “Quero isso! Quero já!” – Queira pois, o rapto do Amor. Fora mais ou menos assim que, certa vez, o mestre Śri Ramakrishna recomendara a seus discípulos, entre assaltos de bem-aventurança.
Enquanto o Amor não nos rapta, roguemos mais vezes. Um dia, há de atender.







