No lero

O vestido da cigana, rodopiava na dança
Enfeitado de bolas, ficou na lembrança.
Elas pareciam voar, no que chamaram contradança.
De raízes espanholas, por Cuba começou a andança.
A sensualidade da coreografia, que pede corpos colados,
A mão leve, na cintura, os faz sincronizados.
Todo o seu romantismo, os corações alados,
O sedutor encontro acorda desejos inconfessados.
Na elegância de seu ritmo, que postura igual requer,
Dois pra lá, dois pra cá, no salão ou lugar qualquer,
Pede do cavalheiro, gentileza, com a sua eleita mulher
Que não precisa rastejar, linda, como a erva malmequer.
As letras cheias de sentimentos, hinos são dos apaixonados.
Perdão concedem aos culpados por romances desatados.
Justiça ficam devendo aos inocentes, que amam encarcerados.
É o amor que desliza no bolero, nos sussurros censurados.








